quarta-feira, 24 de junho de 2015

94- O Japão e o Sistema de Washington


O Japão e o Sistema de Washington

O Japão possuía uma monarquia constitucional que no período entre guerras foi encabeçada inicialmente pelo imperador Yoshihito (reinado em 1912-1926, a Era Taisho) e depois pelo imperador Hiroíto (reinado em 1926-1989, a Era Showa). Até a década de 1920, sob governos liberais, o Japão manteve relações relativamente estáveis com os EUA, a Grã-Bretanha e a França. O império colonial japonês no Extremo Oriente, que incluía a Coreia, Taiwan e territórios no norte da China, foi ampliado na Primeira Guerra Mundial quando o Japão, lutando ao lado da Entente, tomou possessões alemãs no Pacífico e na província chinesa de Shantung. A pedido dos EUA e de outros aliados, o Japão também interviu na Guerra Civil Russa contra os bolcheviques e invadiu o leste da Sibéria em 1918, só se retirando em 1922.

Com as alterações no cenário geopolítico da Ásia e do Pacífico depois de 1918, EUA, Grã-Bretanha e França propuseram ao Japão um acordo para manter a nova balança do poder no Extremo Oriente e evitar uma guerra na região. As conversações foram feitas na Conferência de Washington (1921-1922). Os acordos selados em Washington decidiram que as potências deveriam reduzir suas forças navais no Pacífico, respeitar as possessões coloniais existentes e fazer consultas entre si para resolverem pacificamente as crises que surgissem. Os participantes também reconheceram a independência da China e o direito de todas as nações negociarem com ela em termos iguais, embora tenham confirmado as concessões territoriais e econômicas dos estrangeiros. Durante a Conferência de Washington, sob intermediação dos EUA, o Japão concordou em devolver o Shantung para os chineses, preservando porém, o controle econômico da província. Em meados da década de 1920, a ordem internacional no Extremo Oriente, ao menos no que dizia respeito as grandes potências, parecia estar estabilizada.

A partir da segunda metade dos anos 20, porém, coincidindo com o início da Era Showa, essa estabilidade começou a dar sinais de ruptura. Apesar dos compromissos dos acordos de Washington, o domínio estrangeiro na China continuava, beneficiado pela fragmentação política do país e a inexistência de um governo centralizado forte. No entanto, esse governo começou a emergir no final da década de 20, quando o general Chiang Kai-shek, líder do Kuomintang (Partido Nacionalista ou KMT), inicialmente aliado ao Partido Comunista Chinês (PCC) de Mao Zedong, começou a unificar a China a partir de suas bases no sul, em uma campanha militar conhecida como Expedição do Norte (1926-1928) com o apoio decisivo da URSS, na época defensora de alianças com governos nacionalistas "burgueses" anti-imperialistas. Apesar do auxílio soviético, em 1927 Chiang rompeu a aliança com os comunistas, que considerava serem os seus maiores rivais. Em 1928, Chiang tomou Pequim e virou o governante oficial do país, instalando uma ditadura monopartidária nacionalista e anticomunista. O governo do KMT tinha se transformado na principal autoridade da China e, embora tivesse que enfrentar a resistência armada do PCC (guerra civil de 1927-1936), criou condições políticas para realizar um novo acordo internacional de revisão das concessões aos estrangeiros. Isso poderia levar a China a adquirir a plena soberania nacional mas implicaria em eliminar o que restava do domínio das potências imperialistas no país. O Japão, por ser a principal potência com interesses na China, seria o país mais prejudicado pela ascensão do KMT e sua política anti-imperialista. Para os grupos expansionistas e ultranacionalistas japoneses, representados por setores militares e empresariais, isso era intolerável. A reação desses grupos, sobretudo dos militares estacionados em território chinês, foi pressionar o governo japonês a abandonar os compromissos feitos na Conferência de Washington e adotar uma nova política mais agressiva em relação à China. Quando a Grande Depressão atingiu o Japão no final da década de 20, a situação se agravou e o domínio japonês sobre a China passou a ser visto cada vez mais como fundamental para a sobrevivência dos japoneses. Essa questão mergulhou o Japão em uma violenta crise política na primeira metade da década de 1930, com atentados contra as autoridades civis e militares de posições moderadas contrárias ao expansionismo e favoráveis a um compromisso com o Ocidente. Em 1932, os militares acabaram assumindo o controle da política japonesa, estabelecendo governos de "unidade nacional" que subordinaram o Parlamento e a monarquia aos seus interesses. Na segunda metade da década de 1930, os governos de "unidade nacional" assumiram posições mais militaristas e imperialistas, voltadas para a expansão sobre a China. Na mesma época, ganhou força um projeto imperialista mais ambicioso – a construção da "Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental", que deveria integrar economicamente todo o Extremo Oriente ao Japão por meio da cooperação regional e do colonialismo japonês, implicando na expulsão das potências ocidentais do Sudeste Asiático e da China e dos soviéticos do Leste da Sibéria. Em 1937-1938, o Japão estabeleceu uma aliança com a Alemanha e com a Itália, consolidando a nova política externa revisionista e imperialista. O resultado foi a guerra na Ásia de 1937-1945.

 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

93 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO

PROFESSOR MÁRCIO NUNES - HISTÓRIA DO BRASIL

A Revolução de 1930

O governo provisório de Vargas (1930-1934)

A Revolução Constitucionalista de 1932

O governo constitucional de Vargas (1934-1937)

A política trabalhista de Vargas

A AIB

FONTES DE ESTUDO

Livro Conecte 3 (Capítulo 7)

Apostila 2 (Capítulo 14)

Esquemas de aula

PROFESSOR CÁSSIO TUNES - HISTÓRIA GERAL

Primeira Guerra Mundial: as alianças, a entrada dos EUA, as revoluções na Rússia em 1917 e as consequências da guerra

Os EUA e a nova ordem internacional pós-1918: a Liga das Nações, o sistema de Versalhes e o sistema de Washington

A crise do liberalismo: motivos e características

O totalitarismo: aspectos gerais

FONTES DE ESTUDO

Esquemas do caderno

Apostila 2 ( Capítulos 9 e 11)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

92- Americano, norte-americano ou estadunidense?


AMERICANO, NORTE-AMERICANO OU ESTADUNIDENSE?

A dúvida nos leva longe. As três formas têm adeptos no português contemporâneo – o que não quer dizer que se equivalham inteiramente – e sempre rendem discussões quentes.

Como toda discussão quente, esta costuma ignorar argumentos baseados na razão, como o de que escolher entre americano, norte-americano e estadunidense não é uma questão de certo e errado, mas uma decisão vocabular legítima tomada por cada falante. Decisões vocabulares sempre revelam algo sobre o sujeito, seu grau de informação, modo de encarar o mundo e, sim, posição política.

Americano é a forma mais comum e também a mais enraizada na história de nossa língua. De Machado de Assis a Caetano Veloso – “Americanos são muito estatísticos/ Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos” – existe uma tradição cultural séria a legitimar americano como termo preferencial para designar o que se refere aos Estados Unidos no português brasileiro.

Sempre houve quem se incomodasse com isso, por acreditar que essa escolha aparentemente inocente trazia embutida uma concordância com o sequestro que os conterrâneos de John Wayne fizeram de termos mágicos – América, americanos – que deveriam ser propriedade de todo o Novo Mundo. Os brasileiros também somos, assim como argentinos, venezuelanos e tobaguianos, americanos, certo? Claro que está certo.

Assim, de um impulso nacionalista ou continentalista, surgiram dois subgrupos, o que prefere norte-americano e o que opta por estadunidense. É provável que estadunidense – que já foi a terceira opção dos brasileiros e é a que contém maiores dosagens de antiamericanismo – tenha conquistado o segundo lugar durante o pesadelo dos oito anos de George W. Bush.

O problema é que o principal argumento contra o uso de americano – o de que o termo está “errado” porque quer dizer tudo o que se refere às três Américas – é ingênuo. Americano quer dizer as duas coisas. Assim como mineiro pode designar tanto um trabalhador em minas, seja ele búlgaro ou cearense, quanto um natural do estado de Minas Gerais, e o contexto resolve qualquer possível ambigüidade. Isso não é argumento. E ainda que fosse, norte-americano sofreria do mesmo problema, o de excluir canadenses e – dependendo da classificação – mexicanos de um termo que deveria incluí-los por força de geografia e história.

Quanto a estadunidense, bem, aqui a questão é política, ponto. Por que logo eles, os americanos, teriam o direito de usar como emblema, medalha azul-vermelha-e-branca no peito, a sonoridade de América? Se nós também somos América e temos até uma Iracema, isso não seria pura pilhagem cultural, muque colonialista, arrogância ianque?

É claro que se pode pensar assim, e de certa forma foi isso mesmo que ocorreu. Mas o fato cru é que, quando grande parte do mundo estava sendo redividido e rebatizado, os caras foram espertos no trabalho de branding. Correram logo ao cartório mundial com o bebê no colo e assimilaram – se não a América-coisa, que é obviamente inassimilável – pelo menos a palavra América e uma ideia de América. São os Estados Unidos da América como nós já fomos os Estados Unidos do Brasil. Ninguém nos chamava de estadunidenses na época.

Paciência, então? Isso vai de cada um. Minha paciência é menor com episódios de gato-mestrismo linguístico – “você está errado por falar como todo mundo, eu e uns poucos outros é que estamos certos” – do que com os Estados Unidos da América, sobretudo na era Obama. No fim das contas, bastaria o pernosticismo da palavra estadunidense para me indispor contra ela.

Prefiro outra posição: a de que, do ponto de vista da língua, não existe certo ou errado aqui. Assim como a mandioca também pode ser, por questões regionais, chamada de aipim ou macaxeira, os termos americano, norte-americano e estadunidense são opções vocabulares à disposição do falante de português. Mas convém saber aquilo que cada um realmente implica antes de sair brandindo argumentos furados de autoridade.

Sérgio Rodrigues in http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/americano-norte-americano-ou-estadunidense/

quinta-feira, 14 de maio de 2015

91 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO

PROFESSOR MÁRCIO NUNES - HISTÓRIA DO BRASIL

Proclamação da República

Encilhamento

Sistema político da República Velha

Revoltas da República Velha

FONTES DE ESTUDO

Livro Conecte 2 (Capítulo 18 item 4) e Conecte 2 (Capítulo 1)

Apostila 1 (Capítulo 7)

Esquemas de aula

PROFESSOR CÁSSIO TUNES - HISTÓRIA GERAL

EUA e Rússia na Belle Époque

Crises internacionais na Belle Époque

Guerra dos 31 Anos: significado, alianças de 1914-1918 e 1939-1945, características da guerra

Primeira Guerra Mundial: alianças e motivos

FONTES DE ESTUDO

Apostila 1 (Capítulo 6, questões da pág. 512: 19-20-21-22-23-24)

Apostila 2 (Capítulo 8, questões da pág. 372: 4-5-6-7; Capítulo 9, questões da pág. 378: 1-2-3-4-5-6-7-8-9)

Esquemas de aula

 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

90 - As potências na Belle Époque


ESQUEMA DAS AULAS DO CAPÍTULO 6 DO CADERNO/APOSTILA 1

AS POTÊNCIAS NA BELLE ÉPOQUE

1. GRÃ-BRETANHA

ASPECTOS GERAIS

REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA

REGIME LIBERAL COM UMA MONARQUIA CONSTITUCIONAL PARLAMENTAR

MAIOR POTÊNCIA ECONÔMICA, NAVAL E COLONIAL DO PERÍODO

HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL

Supremacia comercial, financeira e (até 1900) industrial

PRINCIPAL DEFENSORA DO LIVRE COMÉRCIO

O IMPÉRIO BRITÂNICO

O maior da história

Principal colônia: Índia

Destaque para os Domínios:

  Colônias de povoamento com autonomia para a população branca

  Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul

SÍMBOLO DO PODER BRITÂNICO: A MARINHA DE GUERRA

1837-1901. REINADO DA RAINHA VITÓRIA: ERA VITORIANA

APOGEU DO PODER BRITÂNICO: PAX BRITANNICA

POLÍTICA EXTERNA:

"Isolacionismo esplêndido": sem alianças militares na Europa em época de paz

Preservar o equilíbrio do poder na Europa e impedir que um país dominasse o continente

Propagar o livre comércio no mundo

Defender seu império, especialmente o acesso à Índia

Principais rivais imperialistas: França e Rússia

PROBLEMAS:

Crescimento do movimento operário (Partido Trabalhista): pressão por mais democracia, direitos trabalhistas, voto feminino

Movimento de autonomia/separatismo dos católicos na Irlanda

Ascensão de novas potências industriais: EUA e Alemanha

 Líderes da Segunda Revolução Industrial (início 1870), superaram a Grã-Bretanha no poder industrial por volta de 1900

1899-1902. Guerra dos Bôeres ou Sul-Africana

  Grã-Bretanha conquista com dificuldade as repúblicas "brancas" bôeres (descendentes dos holandeses) na África do Sul

  A guerra demonstrou os limites do poder militar britânico e o isolamento internacional do país

1901-1910. REINADO DE EDUARDO VII: ERA EDUARDIANA

DECLÍNIO DO PODER GLOBAL BRITÂNICO

CRESCENTE ATRITO COM A ALEMANHA, QUE VIROU A MAIOR RIVAL DA GRÃ-BRETANHA

FIM DO ISOLAMENTO ESPLÊNDIDO

RECONHECIMENTO DA HEGEMONIA AMERICANA NO CARIBE

Desenvolvimento do conceito da "ANGLOESFERA": cooperação/aliança dos países de forte povoamento britânico e tradição liberal (Grã-Bretanha, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia)

 A aproximação GB-EUA começou no final da Era Vitoriana com a crise da Venezuela de 1895 (disputa fronteiriça Venezuela-Guiana Inglesa), arbitrada pelos EUA

1902. ALIANÇA COM O JAPÃO

Conciliação dos interesses britânicos e japoneses no Extremo Oriente

1904. ENTENTE CORDIALE COM A FRANÇA

Conciliação dos interesses britânicos e franceses na África e Ásia

Início da cooperação anglo-francesa pela estabilidade da Europa

1907. CONVENÇÃO ANGLO-RUSSA

Conciliação dos interesses britânicos e russos no Irã e Afeganistão

1907. TRÍPLICE ENTENTE

Grã-Bretanha, França e Rússia contra a Alemanha

1910-1936. REINADO DE GEORGE V: ERA GEORGIANA

CRESCIMENTO DA TENSÃO COM A ALEMANHA

1914. GRÃ-BRETANHA AINDA COM A HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL

1914-1918. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

DEPOIS DA GUERRA, A GRÃ-BRETANHA PERDE A HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL PARA OS EUA

 

2. ALEMANHA

1864-1871. UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA

FEITA PELO REINO DA PRÚSSIA

Monarquia constitucional autoritária: Parlamento fraco

Rei Guilherme I

LIDERADA PELO PRIMEIRO-MINISTRO OTTO VON BISMARCK

GUERRAS CONTRA A DINAMARCA (1864), ÁUSTRIA (1866) E FRANÇA (1870-1871)

1870-1871. GUERRA FRANCO-PRUSSIANA

França (Napoleão III) tenta impedir a unificação final da Alemanha

Derrota e humilhação francesa

Unificação da Alemanha

– 1871, janeiro. Criação do Império Alemão

– 1871, maio. Tratado de Frankfurt: França cede a Alsácia-Lorena e paga indenização para a Alemanha.

O IMPÉRIO ALEMÃO OU SEGUNDO REICH (1871-1918)

ESTADO FEDERADO: ANTIGOS REINOS CONTINUARAM EXISTINDO SOB HEGEMONIA DA PRÚSSIA

MONARQUIA AUTORITÁRIA DO KAISER (IMPERADOR, O REI DA PRÚSSIA)

Parlamento fraco

Primeiro-ministro (chanceler) subordinado ao kaiser

Sufrágio universal masculino

PRINCIPAL SETOR DA ELITE DIRIGENTE: OS JUNKERS

Nobreza latifundiária e militarista da Prússia

A ALEMANHA VIROU A MAIOR POTÊNCIA INDUSTRIAL E MILITAR DA EUROPA

1871-1888. REINADO DE GUILHERME I: ERA BISMARCKIANA

BISMARCK CHANCELER: O "CHANCELER DE FERRO"

A POLÍTICA DE BISMARCK: REALPOLITIK

Objetivos internos:

  Preservar o poder da monarquia

  Conter o crescimento do socialismo (SPD - Partido Social-Democrata, marxista)

Objetivos externos:

  Preservar a unidade alemã

  Isolar a França na Europa

LEIS TRABALHISTAS PARA AFASTAR O PROLETARIADO DO SPD

Início do Welfare State alemão

BOAS RELAÇÕES COM AS POTÊNCIAS EUROPEIAS

Aproximação Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia (monarquias autoritárias, conservadorismo)

Colonialismo limitado e marinha pequena para não provocar a Grã-Bretanha

1882. Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália

1884-1885. Conferência de Berlim

– Partilha de territórios africanos entre as potências europeias

– Desprezou as fronteiras históricas e étnicas dos povos africanos

– O Congo (Zaire) ficou com o rei Leopoldo II da Bélgica

PROBLEMAS:

O SPD continuou crescendo com apoio do movimento operário

Crescente rivalidade entre Rússia e Áustria-Hungria pela influência nos Bálcãs

1888-1918. REINADO DE GUILHERME II: ERA GUILHERMINA

MAIOR INFLUÊNCIA DO DARWINISMO SOCIAL NA MONARQUIA

Ideia de uma luta entre nações pela sobrevivência: os mais fortes prevalecem e dominam os mais fracos ("Dominar para não ser dominado")

Ideia de que o mundo caminhava para ser dominado por Três Impérios (Grã-Bretanha, EUA e uma grande potência continental europeia, a Alemanha ou a Rússia)

1890. BISMARCK SAI DO GOVERNO

NOVO RUMO DA POLÍTICA ALEMÃ

A WELTPOLITIK DE GUILHERME II

Projeção do poder alemão no mundo, criando um grande império colonial e uma grande marinha de guerra

  Despertaria o patriotismo das massas, obtendo apoio popular para o governo

  Conseguiria mais mercados e fontes de matérias-primas para as indústrias alemãs

CONSOLIDAÇÃO DA ALIANÇA COM A ÁUSTRIA-HUNGRIA

APROXIMAÇÃO DO IMPÉRIO TURCO OTOMANO

Aumentar a presença alemã no Oriente Médio

Construção da Ferrovia Berlim-Bagdá (1903-1914)

RESULTADOS DA POLÍTICA DE GUILHERME II

O SPD continuou crescendo com apoio do movimento operário

  1912. O SPD virou o maior partido do Parlamento

Aproximação da Grã-Bretanha, França e Rússia: Tríplice Entente (1907)

1910-1914. Intensificação da modernização da Rússia (investimentos franceses e britânicos)

ALEMANHA FICA CERCADA DE POTÊNCIAS HOSTIS, ENQUANTO O REGIME ERA AMEAÇADO INTERNAMENTE

A GUERRA APARECE COMO ALTERNATIVA PARA UNIR O PAÍS E DESTRUIR O PODER RUSSO ENQUANTO A ALEMANHA AINDA POSSUÍA SUPERIORIDADE MILITAR E INDUSTRIAL

 

3. FRANÇA

ASPECTOS GERAIS

REGIME LIBERAL COM REPÚBLICA PARLAMENTAR

A mais democrática das potências europeias

Criada como resultado da derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

 França (Napoleão III, imperador do Segundo Império, 1852-1870) tenta impedir a unificação da Alemanha

  França invadida pela Prússia e seus aliados alemães. Napoleão III capturado pelos invasores.

  1870, setembro. Queda de Napoleão III (derrubado pelo Parlamento) e criação da Terceira República

  1871, março-maio. Comuna de Paris: revolução esquerdista dos trabalhadores estabelece governo rival da Terceira República. Guerra civil. Derrota e destruição da Comuna

– 1871, maio. Tratado de Frankfurt: França cede a Alsácia-Lorena e paga indenização para a Alemanha.

POSSUÍA O SEGUNDO MAIOR IMPÉRIO COLONIAL DO MUNDO

Principais colônias: Argélia e Indochina (Vietnã, Camboja, Laos)

Sua maior rival até o início do século XX era a Grã-Bretanha

DIANTE DA POLÍTICA EXTERNA AGRESSIVA DA ALEMANHA GUILHERMINA, CONSEGUE ROMPER SEU ISOLAMENTO E APROXIMAR-SE DA RÚSSIA E DA GRÃ-BRETANHA

1894. Aliança Franco-Russa

1904. Entente Cordiale com a Grã-Bretanha

1907. Tríplice Entente: França, Grã-Bretanha e Rússia

 

4. RÚSSIA

ASPECTOS GERAIS

IMPÉRIO EURO-ASIÁTICO MULTIÉTNICO

A MENOS DESENVOLVIDA/MODERNA DAS GRANDES POTÊNCIAS EUROPEIAS

O “ANTIGO REGIME” RUSSO

Czarismo: monarquia absolutista do czar ou tsar (imperador), uma autocracia

– 1613-1917. Dinastia Romanov

Igreja Ortodoxa Russa: igreja oficial subordinada à monarquia

Classe dominante: nobreza (terras e cargos no Estado)

Maioria da população: camponeses pobres

O PODER MILITAR RUSSO

O maior exército do mundo, relativamente mal equipado

O IMPERIALISMO RUSSO

Principais alvos: Oriente Médio, Extremo Oriente e Bálcãs

Objetivo de dominar territórios turcos (Constantinopla) e obter a hegemonia nos Bálcãs para ter acesso ao Mediterrâneo

– Rivalidade com o Império Turco Otomano e a Áustria-Hungria

– Ideologia do pan-eslavismo: união/cooperação dos povos eslavos, especialmente entre a Rússia e a Sérvia (principal aliada nos Bálcãs)

Dominar a Pérsia (Irã) e o Afeganistão

– Rivalidade com a Grã-Bretanha

Dominar o Norte da China (Manchúria) e a Coréia

– Rivalidade com o Japão

1894-1917. REINADO DO CZAR NICOLAU II: CRISE DO CZARISMO

CRESCENTE TENSÃO COM A ÁUSTRIA-HUNGRIA PELOS BÁLCÃS E COM A ALEMANHA, ALIADA DA AH

1894. Aliança Franco-Russa

1907. Tríplice Entente: Rússia, França e Grã-Bretanha

NACIONALISMO E SEPARATISMO DOS POVOS NÃO-RUSSOS

Sobretudo na Polônia, Finlândia, Cáucaso e Ásia Central

O IMPACTO DO CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E DA MODERNIZAÇÃO

Investimentos do Estado e do capital estrangeiro

Maior dívida externa do mundo

Aceleração da industrialização e da urbanização

Ascensão da classe média e do proletariado: pressão por reformas democráticas e sociais

Pressão dos camponeses/trabalhadores rurais por reforma agrária

A OPOSIÇÃO AO CZARISMO

LIDERADA PELA INTELLIGENTSIA

Intelectuais engajados politicamente, em geral da esquerda e da classe média (destaque para os estudantes)

 

Consideravam-se representantes dos interesses populares

 

Organizaram partidos políticos ilegais para criar um novo regime considerado por eles mais justo e progressista.

 

PARTIDO OPERÁRIO SOCIAL-DEMOCRATA RUSSO (POSDR)

 

ORGANIZAÇÃO MARXISTA

 

CONSIDERAVAM A RÚSSIA UM PAÍS MUITO “ATRASADO” (AGRÁRIO): NÃO MADURO PARA O SOCIALISMO

 

TEORIA DA REVOLUÇÃO EM 2 ETAPAS:

Etapa 1: a "revolução democrática burguesa”

 

Revolução operária com apoio dos camponeses e de setores democráticos da burguesia

 

Criar uma república democrática e capitalista moderna (industrial) com reformas sociais (distribuição de terras, leis trabalhistas)

 

O operariado industrial vai crescer e se fortalecer com o passar do tempo 

 

Etapa 2: a "revolução socialista operária"

 

  Revolução operária contra o capitalismo

 

  Criar a "ditadura do proletariado" (Estado operário) com estatização da economia numa transição para o comunismo

 

– Será parte de uma revolução internacional (europeia) contra o capitalismo mundial

 

1903. DIVISÃO DO POSDR EM DUAS FACÇÕES:

 

Mencheviques

 

– Queriam um partido de base operária mais ampla e descentralizada possível

 

Bolcheviques

 

– Organizados e liderados por Lênin

 

Queriam um partido mais centralizado dirigido por um grupo pequeno e disciplinado de revolucionários profissionais – uma elite revolucionária vista como a “vanguarda do proletariado”

 

Em 1912 formaram um partido separado que originou o Partido Comunista (1918)

 

 

5. EUA

REGIME LIBERAL COM REPÚBLICA PRESIDENCIALISTA

UMA DAS MAIS AVANÇADAS DEMOCRACIAS DA ÉPOCA

Mas ainda era limitada: excluía/marginalizava mulheres e negros

1870-1914. ASCENSÃO DOS EUA COMO A MAIOR POTÊNCIA INDUSTRIAL DO MUNDO

1800-1860. CONQUISTA DO OESTE

1861-1865. SECESSÃO DOS ESTADOS SULISTAS ESCRAVISTAS E GUERRA CIVIL

1865. REUNIFICAÇÃO NACIONAL E ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

1870-1914. INÍCIO DA SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E APOGEU DA GRANDE IMIGRAÇÃO EUROPEIA

1914. ERA O MAIOR MERCADO CONSUMIDOR DO MUNDO

Maior classe média

Salários relativamente mais altos do que na demais potências

Maior mobilidade social

A POLÍTICA EXTERNA

ISOLACIONISMO/NEUTRALIDADE NO VELHO MUNDO (EUROPA, ÁSIA, ÁFRICA)

BUSCA DA HEGEMONIA NO NOVO MUNDO (AMÉRICA OU HEMISFÉRIO OCIDENTAL)

Diplomacia do pan-americanismo, cooperação interamericana ou solidariedade hemisférica

Doutrina Monroe (1823): contra a intervenção europeia na região (“A América para os americanos”)

Uso da força: intervenções militares para preservar os interesses americanos, especialmente no Caribe, América Central e México

BUSCA DA HEGEMONIA NO PACÍFICO

Dominar ilhas para assegurar o controle das rotas marítimas e o acesso à Ásia (China, Japão)

O PODER MILITAR AMERICANO

EXÉRCITO PEQUENO E MAL EQUIPADO PARA UMA GRANDE POTÊNCIA

MARINHA PODEROSA: PRINCIPAL ARMA

1889-1893. GOVERNO DE BENJAMIN HARRISON

1889-1890. CONFERÊNCIA DE WASHINGTON

Primeira Conferência Internacional dos Estados Americanos

Organizada pelo Secretário de Estado James G. Blaine

Tentativa de criar laços de cooperação econômica entre EUA e América Latina

Estabelecimento do Bureau Comercial das Repúblicas Americanas

Originou a OEA –Organização dos Estados Americanos (1948)

1893-1897. GOVERNO DE GROVER CLEVELAND

1895. PRIMEIRA CRISE DA VENEZUELA

Entre Grã-Bretanha e Venezuela

Disputa fronteiriça Venezuela-Guiana Inglesa

Ameaça de guerra e de intervenção dos EUA

GB recua e busca cooperação com os EUA no Caribe (reconhecimento da hegemonia americana na região)

Início do ideal da ANGLOESFERA: cooperação/aliança dos países de forte povoamento britânico e tradição liberal (GB, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia)

1897-1901. GOVERNO DE WILLIAM MCKINLEY

1898. GUERRA HISPANO-AMERICANA

Precipitada pelo envolvimento dos EUA na Guerra de Independência Cubana (1895-1898) contra o domínio espanhol

Derrota da Espanha

EUA anexam as Filipinas (Ásia), Guam (Pacífico) e Porto Rico (Caribe)

Cuba ficou independente

1898. ANEXAÇÃO DO HAVAÍ

1899. PARTILHA GERMANO-AMERICANA DAS ILHAS SAMOA

1899-1902. GUERRA FILIPINO-AMERICANA

As Filipinas lutam pela independência mas fracassam (autonomia em 1934 e independência em 1946)

A QUESTÃO CUBANA

CUBA VIROU UM PROTETORADO AMERICANO: SUBORDINADA/SOB PROTEÇÃO DOS EUA

1898-1902. OCUPAÇÃO MILITAR DOS EUA

1901. EMENDA PLATT NA CONSTITUIÇÃO CUBANA

Direito de intervenção militar dos EUA em Cuba para manter a ordem (revogada em 1934)

1902. INDEPENDÊNCIA DE CUBA

1903. BASE AMERICANA EM GUANTÁNAMO (“GITMO”)

1901-1909. GOVERNO DE THEODORE ROOSEVELT

1902-1903. SEGUNDA CRISE DA VENEZUELA

Entre Alemanha e Venezuela

Venezuela suspende o pagamento da dívida externa

Grã-Bretanha, Itália e Alemanha bloqueiam os portos venezuelanos

Ameaça de invasão alemã e de intervenção dos EUA

Alemanha recua e aceita arbitragem internacional

Relações EUA-Alemanha ficaram abaladas

A crise precipitou a elaboração do Corolário Roosevelt da Doutrina Monroe

O COROLÁRIO ROOSEVELT: BIG STICK

Direito de intervenção americana no Caribe e América Central para proteger os interesses dos EUA, manter a ordem e evitar pretextos para intervenções militares europeias na região

1903-1904. INTERVENÇÃO NO PANAMÁ

Panamá território da Colômbia

1903. Senado colombiano rejeitou proposta americana de construção de um canal no Panamá que ficaria sob controle dos EUA

1904. Independência do Panamá sob proteção dos EUA

O Panamá vira protetorado dos EUA e assina um acordo para a construção do canal

O Canal do Panamá foi concluído em 1914 e ficou sob controle dos EUA até o final de 1999

1905-1909. INTERVENÇÕES MILITARES NA REPÚBLICA DOMINICANA, CUBA E NICARÁGUA

1909-1913. GOVERNO DE WILLIAM TAFT

DIPLOMACIA DO DÓLAR

Empréstimos a governos falidos com controle americano sobre suas finanças

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

domingo, 29 de março de 2015

89- Gabarito da prova da 1 Etapa 2015


GABARITO 3 ANO 1 ETAPA 2015

QUESTÃO 4 (a): A frase é uma referência ao impacto interno e externo da unificação e transformação da Alemanha na maior potência industrial europeia, sob uma monarquia conservadora, após a vitória da Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Vulnerabilidade interna: o avanço do Partido Social Democrata (SPD), defensor do socialismo, apoiado pelo crescente movimento operário. Vulnerabilidade externa: o revanchismo francês.

QUESTÃO 4 (b): Política de preservar o poder da monarquia e a unidade alemã por meio da contenção e repressão do SPD e do isolamento da França no cenário europeu evitando que conseguisse aliados contra a Alemanha.

QUESTÃO 4 (c): Criação de leis trabalhistas para afastar o operariado do SPD, adoção de uma política colonial pouco ambiciosa e uma marinha modesta para não provocar a Grã-Bretanha, estabelecimento de boas relações com a Rússia e formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria, Itália) contra a França.

QUESTÃO 4 (d): A Weltpolitik, política de expansão mundial da Alemanha, criando um grande império colonial e uma grande marinha. Não conseguiu o esperado apoio popular do operariado, deixou a Grã-Bretanha alarmada, afastou a Rússia da Alemanha e levou a formação da Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França, Rússia).

QUESTÃO 5: E E E C C C C E C E        

QUESTÃO 6: E E E E D D D E        

QUESTÃO 7: C C C E C

quinta-feira, 19 de março de 2015