sábado, 22 de agosto de 2015

96 - Comunismo e nazismo

Um ex-aluno meu do Leonardo da Vinci, Carlos Vitral, me enviou uma mensagem pedindo para ajudá-lo em algumas dúvidas sobre a relação entre comunismo e nazismo, em especial se o nazismo surgiu do comunismo ou se o movimento nazista poderia ser classificado como esquerdista. Acabei me empolgando na resposta, reproduzida abaixo:


A relação do nazismo com o socialismo e sua classificação como um movimento de extrema direita ou como uma vertente da esquerda é interminável. Não dá para detalhar aqui mas é possível algumas observações: (1) o socialismo, como ideologia, defende a criação de uma sociedade considerada mais justa e favorável aos trabalhadores, baseada em princípios de coletivismo econômico e igualitarismo social; (2) a ideologia socialista moderna começou a ser formada no final do século XVIII, durante a Revolução Francesa (que não foi uma revolução socialista), e avançou na primeira metade do século XIX, dividido em diversas correntes que interpretaram de maneira diferente os princípios coletivitas e igualitários (algumas reivindicando a abolição da propriedade privada, outras a sua redistribuição, outras a intervenção governamental no capitalismo por meio do estabelecimento de direitos sociais e proteção aos trabalhadores sem eliminar o sistema capitalista); (3) essas primeiras correntes socialistas foram chamadas pelos marxistas de "socialismo utópico", ao passo que o socialismo ou comunismo defendido por Marx e Engels, elaborado por ambos na década de 1840, ficou conhecido como "socialismo científico" ou socialismo marxista; (4) o socialismo marxista afirma ser a ideologia de classe do proletariado, acredita numa permanente e inevitável luta de classes entre o proletariado e a burguesia no capitalismo e defende criar uma sociedade sem propriedade privada e sem classes por meio de uma revolução operária internacional anticapitalista; (5) esse socialismo marxista avançou na segunda metade do século XIX e passou a predominar no interior dos movimentos socialistas a partir do início do século XX, sendo o mais famoso deles o Partido Social-Democrata Alemão (a social democracia clássica de base operária); (6) nas primeiras décadas do século XX, emergiu na Rússia uma versão mais radical e revolucionária do socialismo marxista, associada ao pensamento de Lênin e do seu Partido Bolchevique, que acabou identificado ao comunismo; (7) as outras versões do socialismo não marxista ("socialismo utópico") não desapareceram no início do século XX, ainda que tenham ficado marginalizadas; (8) ideias não marxistas consideradas socialistas pelos seus seguidores continuaram existindo com concepções diferentes de coletivismo e de igualitarismo social daquelas defendidas, por exemplo, pelo comunismo; (9) o nazismo é, fundamentalmente, a versão alemã (e austríaca) do fascismo e, como tal, é caracterizado pelo nacionalismo extremista, antiliberalismo e antimarxismo, acrescentado do racismo; (10) o nacionalismo extremista nazifascista reivindica regenerar e fortalecer a nação por meio da união e colaboração de classes, razão de rejeitar o comunismo/marxismo (que prega a luta de classes e o internacionalismo revolucionário); (11) o nazifascismo não rejeita o capitalismo mas defende uma forte intervenção estatal na economia e a criação de leis trabalhistas e direitos sociais, ideias também defendidas por algumas correntes socialistas; (12) o comunismo e o nazifascismo concordam sim em alguns pontos: ambos rejeitam o liberalismo (direitos naturais do indivíduo, pluripartidarismo, tolerância ideológica, não intervenção estatal na economia), defendem ditaduras monopartidárias coletivistas (um em nome do proletariado, outro em nome da nação), têm pretensão de engenharia social (um criando uma sociedade sem classes, outro unindo as classes) e acreditam numa luta "darwinista social" de coletividades (um na luta de classes, outro na luta de nações); (13) no entanto, comunismo e nazifascismo estão em polos opostos, o primeiro mais a esquerda (por possuir um programa social mais igualitário, que pretende eliminar as classes) e o outro mais a direita (por possuir um programa social mais conservador, que não elimina as classes); (14) o nazifascismo não nasceu do comunismo mas incorporou algumas ideias socialistas reformistas não marxistas, justificando o termo "nacional-socialismo", adotado também para atrair os trabalhadores; (15) o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemãs (NSDAP) ou Partido Nazista, era composto por várias correntes, algumas mais a esquerda outras mais a direita, sendo que a mais esquerda ou socialista delas foi eliminada por Hitler em junho de 1934, no episódio conhecido como "Noite das Longas Facas".

domingo, 9 de agosto de 2015

95 - O nazismo contra o modernismo

Perseguição nazista à arte: o modernismo como arte “degenerada”

Exposição Arte Degenerada, organizada em Munique, em 1937, foi a maior campanha contra o modernismo. Nazistas queriam desmoralizar arte moderna e substituí-la por uma arte oficial, que espalhasse o ideal de força e pureza alemã, acentua Yeda Arouche

Por: Márcia Junges

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line por Yeda Arouche, é discutido o uso que os nazistas fizeram da arte, bem como as censuras que impuseram aos modernistas, sobretudo expressionistas, através da desqualificação de suas obras. “O tom satírico e de exprobração, além da constante exposição das mazelas sociais alemãs da época, terminam por irritar as autoridades que passaram a perseguir os expressionistas e, também, os demais modernistas, classificando-os como degenerados”, explica Arouche. Segundo ela, “em 1927, Alfred Rosenberg, principal teórico do nacional-socialismo, inspirado em Nordaus, publica vários ensaios acusando a livre e subjetiva estética moderna de desequilíbrio e de alienação, iniciando um processo de massificação dessa idéia. No ano seguinte, o arquiteto e teórico Paul Schultze-Naumburg  edita seu livro Arte e raça, no qual – usando a força da linguagem visual – apresentava um paralelismo entre imagens de enfermos e desequilibrados mentais com as pinturas modernistas, a fim de imputar degeneração à arte. Em 1929, Rosenberg funda a Liga de Combate pela Cultura Germânica”. Estava montado o pano de fundo sobre o qual os nazistas desqualificariam a arte expressionista equiparando-a ao conceito de degenerada. Infelizmente, não apenas o nazismo usou a arte para atender seus fins: “Por diversas vezes, a arte esteve envolvida, de uma forma ou de outra, com um ou outro tipo de poder, principalmente, os totalitários”, lamenta Arouche.

Carioca, bacharel em Comunicação Social, habilitada em Relações Públicas, Publicidade e Propaganda, também bacharel em Comunicação Visual, pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980), Arouche priorizou, inicialmente, suas atividades profissionais na área da editoração e produção gráfico-visual, quando paralelamente, trabalhou com estamparia têxtil, desenvolvendo arte para serigrafia. A partir de 2005, retoma as artes plásticas, freqüentando cursos livres de pintura e de história da arte. Dedica-se, também, a estudar e a manter um blog sobre arte (yedaarouche.arteblog.con.br). Em 2008, no Museu Nacional de Belas Artes, cursou Análise da Forma do Estilo/Valores Plásticos das Artes Visuais. Prepara-se para reingressar na Escola de Belas Artes, a fim de sedimentar conhecimentos no campo das artes visuais, destacando pintura.

IHU On-Line - De forma geral, que fatores propiciaram o surgimento de uma arte rompida com a escola acadêmica?
Yeda Arouche - A Revolução Industrial, em meados do século XVIII, foi um grande marco da humanidade, causando mudanças críticas em todos os campos: declínio do feudalismo, espaço para o capitalismo, bens de produção mudando de mãos, reconfiguração de classes sociais, formação da massa de assalariados, reorganização urbana, crescimento populacional, desenvolvimento tecnológico etc. No século seguinte, o processo, iniciado na Inglaterra, já se encontrava espalhado. Havia uma nova ordem, novos pensadores e novas teorias para explicar o novo mundo. Na segunda metade do século XIX, as rígidas tradições da Academia começam a estremecer. Segundo Ferreira Gullar,  quando, em 1874, na França, os impressionistas “rompem com toda e qualquer representação alegórica da realidade, eles de fato operam no campo da arte, a ruptura que já se dera no nível da vida prática”.

IHU On-Line - O que era o expressionismo, como surgiu e como demonstrou a situação sócio-político-econômica na Alemanha?

Yeda Arouche -
Aponta-se o norueguês Edvard Munch como um dos precursores do expressionismo. Foi influenciado pelo trabalho pós-impressionista de Van Gogh  e de Gauguin.  Do primeiro, veio a carga emocional, e, do segundo, o tratamento achatado das figuras, as cores e a ausência de sombras. Para Munch, uma obra de arte só poderia nascer do interior do homem: “as imagens que ficam do lado de trás dos olhos”. No ano de 1892, Munch repercutiu grandemente na Alemanha, após sua primeira exposição em Berlim. A obra "O grito" (1893), com sua personagem encarnando a própria angústia, é considerada emblemática.

O expressionismo alemão
O expressionismo sedimentou-se na Alemanha, no início do século XX. Seus adeptos criticavam o impressionismo por não aceitarem sensações visuais dando origem à representação. Para o expressionista, o artista deveria lidar com a subjetividade, com os impulsos e com as paixões, fazendo crítica social e tocando em dramas psicológicos. Logo, a simples observação/imitação do mundo exterior havia perdido o valor, enquanto que o sentimento é que seria o notável. O simbolismo, também pode ser apontado como fonte em que bebeu o expressionismo pela possibilidade do uso do onírico.

Inicialmente, dois grupos foram formados. O primeiro foi o Die brücke (A ponte), criado em 1905. Contava com Otto Muller, Emil Nolde  e Ernst Ludwig Kirchner,  dentre outros. Trabalhavam com o cotidiano e com as obsessões. Apresentavam pinceladas vigorosas, deformações no traço e com cores fortes e contrastantes. O segundo núcleo, com postura mais intelectualizada, surgiu em 1911 – o Der Blaue Reiter (O cavaleiro azul) – e contava, entre seus adeptos, com Franz Marc,  Paul Klee  e Wassily Kandinsky.  O grupo apresentava uma variedade de formas, sem nenhum compromisso com um “particular estilo pictórico”, conforme ilustrou Kandinsky. Tanto A ponte quanto O cavaleiro azul se desfizeram antes da Primeira Guerra Mundial. As idéias expressionistas produziram grandes ecos, acabando por se estender para outras manifestações artísticas como a música, a dança, a literatura, o cinema e as artes gráficas.

A crise econômica que se propagou na Alemanha de 1918, ao final da guerra, provocou um caos. Sob falências, alta inflação e desemprego em massa, o país vivia uma sucessão de fracassos. A instabilidade e a falta de perspectivas muito contribuíram para que as idéias do nazismo acabassem por triunfar, em 1933, com a ascensão de Hitler.

Mazelas sociais expostas na arte
O expressionismo, em 1923, contou com uma nova formação: o Neue sachlichkeit (Nova objetividade), que recusava tendências abstracionistas. Em 1925, o grupo realiza uma exposição, em Munique, mostrando a decadente sociedade alemã. Assumindo postura muito mais politizada que seus antecessores mantiveram-se na crítica social e incluíram temas antibelicistas e preocupações com o cenário evolutivo para a centralização do poder e conseqüente fortalecimento do Estado. 
Otto Dix  e George Grosz  foram expoentes dessa terceira geração de expressionistas. Ambos vão abraçar certas temáticas como a hipócrita burguesia alemã, os horrores da guerra e os socialmente rejeitados. É interessante observar as obras “Prague street”(1920), “Metropolis” (1928) e “The seven cardinal sins” (1933), todas de Dix; e “Street scene” (1925), “The pillars of society” (1926) e “Berlin street” (1934), de Grosz.

O tom satírico e de exprobração, além da constante exposição das mazelas sociais alemãs da época, terminam por irritar as autoridades que passaram a perseguir os expressionistas e, também, os demais modernistas, classificando-os como degenerados.

IHU On-Line - Quais são as origens da idéia do “degenerado”?
Yeda Arouche - Na década de 1920, o modernismo faz renascer velhas discussões em torno do estilo artístico versus qualidade racial, com a finalidade de confirmar a arte naturalista alemã do século XIX, como nobre representante da estirpe ariana. Anteriormente, em 1829, Max Nordaus  já havia feito analogia entre a degeneração patológica com a decadência que imputava à arte dos simbolistas, para defender a espiritualmente saudável e superior cultura alemã. Isso terá desdobramentos futuros.

Em 1927, Alfred Rosenberg,  principal teórico do nacional-socialismo, inspirado em Nordaus, publica vários ensaios acusando a livre e subjetiva estética moderna de desequilíbrio e de alienação, iniciando um processo de massificação dessa idéia. No ano seguinte, o arquiteto e teórico Paul Schultze-Naumburg edita seu livro Arte e raça, no qual – usando a força da linguagem visual – apresentava um paralelismo entre imagens de enfermos e desequilibrados mentais com as pinturas modernistas, a fim de imputar degeneração à arte. Em 1929, Rosenberg funda a Liga de Combate pela Cultura Germânica. Ao cenário que se vem arquitetando, somam-se idéias políticas sobre indesejáveis influências, tanto capitalistas como comunistas, sobre a arte.

Quando Adolf Hitler chegou ao poder, em 1933, o modernismo já estava definitivamente ligado à imagem de degeneração. Sobre os artistas modernos, Hitler disse que se suas obras foram “resultado de uma experiência interior, então eles são um perigo público e devem ficar sob supervisão médica […] se era pura especulação, então deviam estar numa instituição apropriada para o engano e a fraude”.

IHU On-Line - Por que se acusava a estética modernista de ser desequilibrada? Que tipo de arte se tornou oficial do Estado nazista e como funcionou a repressão às manifestações artísticas?
Yeda Arouche - O modernismo incomodou primeiro por rejeitar as tradições do passado. O artista moderno adquirira liberdade de criação, formal e de expressão, lidando com a sensação pessoal, fazendo críticas e levantando questões. Tal postura, no mínimo, foi desconfortável para um estado centralizador que precisava sustentar uma ordem e uma união em torno de sua ideologia. Além disso, para a ótica nazista, qualquer representação fora dos padrões naturalistas seria considerada um desequilíbrio, uma degeneração.

A partir de 1933, a Liga de Combate pela Cultura Germânica propagaria a idéia de que o esforço nazista não se importava apenas com os aspectos político-econômicos, ao contrário, preocupava-se em realizar uma ampla ação cultural. Nesse sentido, calar os indesejáveis e nortear os padrões estéticos do regime, o governo proibiu a diversidade criativa e impôs o neoclassicismo como modelo a ser seguido. Promoveu algumas exposições difamatórias e ditou medidas coercitivas.
Passam a ser perseguidos todos os que pudessem ser identificados como contrários às diretrizes nacionalistas e retirados de circulação qualquer meio de disseminação de idéias vanguardistas. Hitler mandou fechar a Bauhaus, a primeira escola de design, arte e arquitetura de vanguarda (1919/1933). Muitos livros e outras publicações foram varridos do território alemão. Diretores de museus foram cassados. Artistas foram proibidos de dar aulas, de expor ou de comercializar seus trabalhos. O nazismo impôs uma verdadeira “caça às bruxas”, confiscando de galerias, de museus e de particulares, todas as obras de arte consideradas degeneradas. George Grosz pinta A bestialidade avança, em 1933, como resposta a perseguição do Terceiro Reich.

IHU On-Line - O que foi a exposição Entartete Kunst (Arte Degenerada) e quais são os principais artistas considerados “degenerados” pelo nazismo?
Yeda Arouche - A exposição Arte Degenerada foi inaugurada em Munique, no ano de 1937, como maior acontecimento da campanha contra o modernismo. Os nazistas pretendiam a total e irreversível desmoralização da arte moderna. O evento foi de grande repercussão reunindo em torno de 650 obras, selecionadas entre milhares que foram apreendidas. Tal acervo era “fruto da insanidade, imprudência, inépcia e completa degeneração”, segundo Adolf Ziegler , presidente da Câmara de Artes Plásticas e organizador do evento. Paralelamente, o governo planejou e inaugurou com grande pompa e destaque a Exibição da Grande Arte Alemã. Assim, o povo poderia bem comparar a arte “degenerada” com a arte que oficialmente espelhava o ideal de força e de pureza da raça alemã.

Guerra à “desintegração cultural”
Observa-se como curiosa a arrumação propositalmente descuidada da exposição degenerada. Tal coisa fazia parte dos planos do Reich para aumentar a estranheza e a desagrado que deveriam transmitir as obras condenadas pelo sistema. Pinturas de autoria de doentes mentais internados em hospitais alemães foram expostas junto aos quadros de artistas consagrados. Muitos títulos foram substituídos por outros mais jocosos para causar impacto negativo. Fora isso, é claro, fluía um discurso político moralizante e insultos atirados contra a estética modernista.  Nas palavras de Hitler, “de agora em diante nós iremos empreender uma guerra implacável contra os últimos remanescentes da desintegração cultural [...]. Por tudo que nós apreciamos, esses bárbaros pré-históricos da Idade da Pedra podem retornar às cavernas de seus ancestrais e lá realizar os seus rabiscos primitivos internacionais”.

A Arte Degenerada circulou pelo país, coroando o esforço de purificação de galerias e museus alemães. O empenho nazista foi um sucesso, se for considerado o expressivo número de visitantes. Mais de dois milhões de pessoas desfilaram pelas galerias para ver as obras dos desprezados, e, principalmente, a dos expressionistas alemães em grande evidência na época. Os cofres do partido também lucraram com o empenho. Muitas obras foram leiloadas, rendendo ótimos números para o ideal nazista. Algumas obras de arte que não foram vendidas destinaram-se à destruição sumária. Cerca de quatro mil pinturas, aquarelas e trabalhos de outras técnicas foram incinerados.
A exposição contou com mais de 100 artistas, destacando-se Herbert Bayer,  Max Beckmann,  Marc Chagall,  Lasar Segall,  Otto Dix, Wassily Kandinsky, Franz Marc, Georg Munch, Emil Nolde, El Lissitzky,  Paul Klee, Max Ernst,  Piet Mondrian  e George Grosz.

IHU On-Line - Após a guerra, o que aconteceu aos artistas que aderiram à arte oficial do nazismo?
Yeda Arouche - Boa parte dos artistas “degenerados” ao final da guerra tornou-se célebre. O mesmo não ocorreu com os artistas “perfeitos” que reproduziam a Alemanha “perfeita” sob a luz da eugenia e da “saudável” arte nazista. Estes últimos foram estigmatizados e caíram numa espécie de limbo, no ostracismo.

IHU On-Line - Como compreender a submissão de artistas e uso da arte pelo regime ditatorial de Hitler?
Yeda Arouche - É preciso lembrar que o nazismo não foi a única organização a usar a arte para melhor atender às suas necessidades. Por diversas vezes, a arte esteve envolvida, de uma forma ou de outra, com um ou outro tipo de poder, principalmente, os totalitários: fascismo, stalinismo, maoísmo e até o salazarismo. Anteriormente, Napoleão Bonaparte  já havia utilizado o neoclássico para oficialmente glorificar e divulgar seu desempenho político. Taunay e outros artistas franceses de sua época registraram as glórias napoleônicas: foram artistas moldados na França revolucionária, preparados para a arte a serviço do Estado. E, mesmo fugindo da ótica política, encontramos o barroco como um exemplo de estilo oficial utilizado pela “reforma” católica, conhecida por contra-reforma, que transformou igrejas em verdadeiros espaços cênicos, onde se esperava comover pessoas a fim de mantê-las fiéis a religião, em época de cisão.

Principais fontes pesquisadas:
• CHIPP, H. B. Teorias da Arte Moderna Martins Fontes, 1999
• FER, Briony e outros. Realismo, Racionalismo, Surrealismo – a arte no entre-guerras. Cosac & Naify Ed. 1998
• Revista “Aventuras na História" - Edição 47 / Julho de 2007, artigo de Sérgio Miranda
Sites:
• Museu de Arte Contemporânea/ USP: http://www.mac.usp.br/
• Enciclopédia Itaú Cultural: http://www.itaucultural.org.br

FONTE: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1963&secao=265

quarta-feira, 24 de junho de 2015

94- O Japão e o Sistema de Washington


O Japão e o Sistema de Washington

O Japão possuía uma monarquia constitucional que no período entre guerras foi encabeçada inicialmente pelo imperador Yoshihito (reinado em 1912-1926, a Era Taisho) e depois pelo imperador Hiroíto (reinado em 1926-1989, a Era Showa). Até a década de 1920, sob governos liberais, o Japão manteve relações relativamente estáveis com os EUA, a Grã-Bretanha e a França. O império colonial japonês no Extremo Oriente, que incluía a Coreia, Taiwan e territórios no norte da China, foi ampliado na Primeira Guerra Mundial quando o Japão, lutando ao lado da Entente, tomou possessões alemãs no Pacífico e na província chinesa de Shantung. A pedido dos EUA e de outros aliados, o Japão também interviu na Guerra Civil Russa contra os bolcheviques e invadiu o leste da Sibéria em 1918, só se retirando em 1922.

Com as alterações no cenário geopolítico da Ásia e do Pacífico depois de 1918, EUA, Grã-Bretanha e França propuseram ao Japão um acordo para manter a nova balança do poder no Extremo Oriente e evitar uma guerra na região. As conversações foram feitas na Conferência de Washington (1921-1922). Os acordos selados em Washington decidiram que as potências deveriam reduzir suas forças navais no Pacífico, respeitar as possessões coloniais existentes e fazer consultas entre si para resolverem pacificamente as crises que surgissem. Os participantes também reconheceram a independência da China e o direito de todas as nações negociarem com ela em termos iguais, embora tenham confirmado as concessões territoriais e econômicas dos estrangeiros. Durante a Conferência de Washington, sob intermediação dos EUA, o Japão concordou em devolver o Shantung para os chineses, preservando porém, o controle econômico da província. Em meados da década de 1920, a ordem internacional no Extremo Oriente, ao menos no que dizia respeito as grandes potências, parecia estar estabilizada.

A partir da segunda metade dos anos 20, porém, coincidindo com o início da Era Showa, essa estabilidade começou a dar sinais de ruptura. Apesar dos compromissos dos acordos de Washington, o domínio estrangeiro na China continuava, beneficiado pela fragmentação política do país e a inexistência de um governo centralizado forte. No entanto, esse governo começou a emergir no final da década de 20, quando o general Chiang Kai-shek, líder do Kuomintang (Partido Nacionalista ou KMT), inicialmente aliado ao Partido Comunista Chinês (PCC) de Mao Zedong, começou a unificar a China a partir de suas bases no sul, em uma campanha militar conhecida como Expedição do Norte (1926-1928) com o apoio decisivo da URSS, na época defensora de alianças com governos nacionalistas "burgueses" anti-imperialistas. Apesar do auxílio soviético, em 1927 Chiang rompeu a aliança com os comunistas, que considerava serem os seus maiores rivais. Em 1928, Chiang tomou Pequim e virou o governante oficial do país, instalando uma ditadura monopartidária nacionalista e anticomunista. O governo do KMT tinha se transformado na principal autoridade da China e, embora tivesse que enfrentar a resistência armada do PCC (guerra civil de 1927-1936), criou condições políticas para realizar um novo acordo internacional de revisão das concessões aos estrangeiros. Isso poderia levar a China a adquirir a plena soberania nacional mas implicaria em eliminar o que restava do domínio das potências imperialistas no país. O Japão, por ser a principal potência com interesses na China, seria o país mais prejudicado pela ascensão do KMT e sua política anti-imperialista. Para os grupos expansionistas e ultranacionalistas japoneses, representados por setores militares e empresariais, isso era intolerável. A reação desses grupos, sobretudo dos militares estacionados em território chinês, foi pressionar o governo japonês a abandonar os compromissos feitos na Conferência de Washington e adotar uma nova política mais agressiva em relação à China. Quando a Grande Depressão atingiu o Japão no final da década de 20, a situação se agravou e o domínio japonês sobre a China passou a ser visto cada vez mais como fundamental para a sobrevivência dos japoneses. Essa questão mergulhou o Japão em uma violenta crise política na primeira metade da década de 1930, com atentados contra as autoridades civis e militares de posições moderadas contrárias ao expansionismo e favoráveis a um compromisso com o Ocidente. Em 1932, os militares acabaram assumindo o controle da política japonesa, estabelecendo governos de "unidade nacional" que subordinaram o Parlamento e a monarquia aos seus interesses. Na segunda metade da década de 1930, os governos de "unidade nacional" assumiram posições mais militaristas e imperialistas, voltadas para a expansão sobre a China. Na mesma época, ganhou força um projeto imperialista mais ambicioso – a construção da "Esfera de Coprosperidade da Grande Ásia Oriental", que deveria integrar economicamente todo o Extremo Oriente ao Japão por meio da cooperação regional e do colonialismo japonês, implicando na expulsão das potências ocidentais do Sudeste Asiático e da China e dos soviéticos do Leste da Sibéria. Em 1937-1938, o Japão estabeleceu uma aliança com a Alemanha e com a Itália, consolidando a nova política externa revisionista e imperialista. O resultado foi a guerra na Ásia de 1937-1945.

 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

93 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO

PROFESSOR MÁRCIO NUNES - HISTÓRIA DO BRASIL

A Revolução de 1930

O governo provisório de Vargas (1930-1934)

A Revolução Constitucionalista de 1932

O governo constitucional de Vargas (1934-1937)

A política trabalhista de Vargas

A AIB

FONTES DE ESTUDO

Livro Conecte 3 (Capítulo 7)

Apostila 2 (Capítulo 14)

Esquemas de aula

PROFESSOR CÁSSIO TUNES - HISTÓRIA GERAL

Primeira Guerra Mundial: as alianças, a entrada dos EUA, as revoluções na Rússia em 1917 e as consequências da guerra

Os EUA e a nova ordem internacional pós-1918: a Liga das Nações, o sistema de Versalhes e o sistema de Washington

A crise do liberalismo: motivos e características

O totalitarismo: aspectos gerais

FONTES DE ESTUDO

Esquemas do caderno

Apostila 2 ( Capítulos 9 e 11)

quarta-feira, 27 de maio de 2015

92- Americano, norte-americano ou estadunidense?


AMERICANO, NORTE-AMERICANO OU ESTADUNIDENSE?

A dúvida nos leva longe. As três formas têm adeptos no português contemporâneo – o que não quer dizer que se equivalham inteiramente – e sempre rendem discussões quentes.

Como toda discussão quente, esta costuma ignorar argumentos baseados na razão, como o de que escolher entre americano, norte-americano e estadunidense não é uma questão de certo e errado, mas uma decisão vocabular legítima tomada por cada falante. Decisões vocabulares sempre revelam algo sobre o sujeito, seu grau de informação, modo de encarar o mundo e, sim, posição política.

Americano é a forma mais comum e também a mais enraizada na história de nossa língua. De Machado de Assis a Caetano Veloso – “Americanos são muito estatísticos/ Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos” – existe uma tradição cultural séria a legitimar americano como termo preferencial para designar o que se refere aos Estados Unidos no português brasileiro.

Sempre houve quem se incomodasse com isso, por acreditar que essa escolha aparentemente inocente trazia embutida uma concordância com o sequestro que os conterrâneos de John Wayne fizeram de termos mágicos – América, americanos – que deveriam ser propriedade de todo o Novo Mundo. Os brasileiros também somos, assim como argentinos, venezuelanos e tobaguianos, americanos, certo? Claro que está certo.

Assim, de um impulso nacionalista ou continentalista, surgiram dois subgrupos, o que prefere norte-americano e o que opta por estadunidense. É provável que estadunidense – que já foi a terceira opção dos brasileiros e é a que contém maiores dosagens de antiamericanismo – tenha conquistado o segundo lugar durante o pesadelo dos oito anos de George W. Bush.

O problema é que o principal argumento contra o uso de americano – o de que o termo está “errado” porque quer dizer tudo o que se refere às três Américas – é ingênuo. Americano quer dizer as duas coisas. Assim como mineiro pode designar tanto um trabalhador em minas, seja ele búlgaro ou cearense, quanto um natural do estado de Minas Gerais, e o contexto resolve qualquer possível ambigüidade. Isso não é argumento. E ainda que fosse, norte-americano sofreria do mesmo problema, o de excluir canadenses e – dependendo da classificação – mexicanos de um termo que deveria incluí-los por força de geografia e história.

Quanto a estadunidense, bem, aqui a questão é política, ponto. Por que logo eles, os americanos, teriam o direito de usar como emblema, medalha azul-vermelha-e-branca no peito, a sonoridade de América? Se nós também somos América e temos até uma Iracema, isso não seria pura pilhagem cultural, muque colonialista, arrogância ianque?

É claro que se pode pensar assim, e de certa forma foi isso mesmo que ocorreu. Mas o fato cru é que, quando grande parte do mundo estava sendo redividido e rebatizado, os caras foram espertos no trabalho de branding. Correram logo ao cartório mundial com o bebê no colo e assimilaram – se não a América-coisa, que é obviamente inassimilável – pelo menos a palavra América e uma ideia de América. São os Estados Unidos da América como nós já fomos os Estados Unidos do Brasil. Ninguém nos chamava de estadunidenses na época.

Paciência, então? Isso vai de cada um. Minha paciência é menor com episódios de gato-mestrismo linguístico – “você está errado por falar como todo mundo, eu e uns poucos outros é que estamos certos” – do que com os Estados Unidos da América, sobretudo na era Obama. No fim das contas, bastaria o pernosticismo da palavra estadunidense para me indispor contra ela.

Prefiro outra posição: a de que, do ponto de vista da língua, não existe certo ou errado aqui. Assim como a mandioca também pode ser, por questões regionais, chamada de aipim ou macaxeira, os termos americano, norte-americano e estadunidense são opções vocabulares à disposição do falante de português. Mas convém saber aquilo que cada um realmente implica antes de sair brandindo argumentos furados de autoridade.

Sérgio Rodrigues in http://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/consultorio/americano-norte-americano-ou-estadunidense/

quinta-feira, 14 de maio de 2015

91 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO

PROFESSOR MÁRCIO NUNES - HISTÓRIA DO BRASIL

Proclamação da República

Encilhamento

Sistema político da República Velha

Revoltas da República Velha

FONTES DE ESTUDO

Livro Conecte 2 (Capítulo 18 item 4) e Conecte 2 (Capítulo 1)

Apostila 1 (Capítulo 7)

Esquemas de aula

PROFESSOR CÁSSIO TUNES - HISTÓRIA GERAL

EUA e Rússia na Belle Époque

Crises internacionais na Belle Époque

Guerra dos 31 Anos: significado, alianças de 1914-1918 e 1939-1945, características da guerra

Primeira Guerra Mundial: alianças e motivos

FONTES DE ESTUDO

Apostila 1 (Capítulo 6, questões da pág. 512: 19-20-21-22-23-24)

Apostila 2 (Capítulo 8, questões da pág. 372: 4-5-6-7; Capítulo 9, questões da pág. 378: 1-2-3-4-5-6-7-8-9)

Esquemas de aula

 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

90 - As potências na Belle Époque


ESQUEMA DAS AULAS DO CAPÍTULO 6 DO CADERNO/APOSTILA 1

AS POTÊNCIAS NA BELLE ÉPOQUE

1. GRÃ-BRETANHA

ASPECTOS GERAIS

REINO UNIDO DA GRÃ-BRETANHA E IRLANDA

REGIME LIBERAL COM UMA MONARQUIA CONSTITUCIONAL PARLAMENTAR

MAIOR POTÊNCIA ECONÔMICA, NAVAL E COLONIAL DO PERÍODO

HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL

Supremacia comercial, financeira e (até 1900) industrial

PRINCIPAL DEFENSORA DO LIVRE COMÉRCIO

O IMPÉRIO BRITÂNICO

O maior da história

Principal colônia: Índia

Destaque para os Domínios:

  Colônias de povoamento com autonomia para a população branca

  Canadá, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul

SÍMBOLO DO PODER BRITÂNICO: A MARINHA DE GUERRA

1837-1901. REINADO DA RAINHA VITÓRIA: ERA VITORIANA

APOGEU DO PODER BRITÂNICO: PAX BRITANNICA

POLÍTICA EXTERNA:

"Isolacionismo esplêndido": sem alianças militares na Europa em época de paz

Preservar o equilíbrio do poder na Europa e impedir que um país dominasse o continente

Propagar o livre comércio no mundo

Defender seu império, especialmente o acesso à Índia

Principais rivais imperialistas: França e Rússia

PROBLEMAS:

Crescimento do movimento operário (Partido Trabalhista): pressão por mais democracia, direitos trabalhistas, voto feminino

Movimento de autonomia/separatismo dos católicos na Irlanda

Ascensão de novas potências industriais: EUA e Alemanha

 Líderes da Segunda Revolução Industrial (início 1870), superaram a Grã-Bretanha no poder industrial por volta de 1900

1899-1902. Guerra dos Bôeres ou Sul-Africana

  Grã-Bretanha conquista com dificuldade as repúblicas "brancas" bôeres (descendentes dos holandeses) na África do Sul

  A guerra demonstrou os limites do poder militar britânico e o isolamento internacional do país

1901-1910. REINADO DE EDUARDO VII: ERA EDUARDIANA

DECLÍNIO DO PODER GLOBAL BRITÂNICO

CRESCENTE ATRITO COM A ALEMANHA, QUE VIROU A MAIOR RIVAL DA GRÃ-BRETANHA

FIM DO ISOLAMENTO ESPLÊNDIDO

RECONHECIMENTO DA HEGEMONIA AMERICANA NO CARIBE

Desenvolvimento do conceito da "ANGLOESFERA": cooperação/aliança dos países de forte povoamento britânico e tradição liberal (Grã-Bretanha, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia)

 A aproximação GB-EUA começou no final da Era Vitoriana com a crise da Venezuela de 1895 (disputa fronteiriça Venezuela-Guiana Inglesa), arbitrada pelos EUA

1902. ALIANÇA COM O JAPÃO

Conciliação dos interesses britânicos e japoneses no Extremo Oriente

1904. ENTENTE CORDIALE COM A FRANÇA

Conciliação dos interesses britânicos e franceses na África e Ásia

Início da cooperação anglo-francesa pela estabilidade da Europa

1907. CONVENÇÃO ANGLO-RUSSA

Conciliação dos interesses britânicos e russos no Irã e Afeganistão

1907. TRÍPLICE ENTENTE

Grã-Bretanha, França e Rússia contra a Alemanha

1910-1936. REINADO DE GEORGE V: ERA GEORGIANA

CRESCIMENTO DA TENSÃO COM A ALEMANHA

1914. GRÃ-BRETANHA AINDA COM A HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL

1914-1918. PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

DEPOIS DA GUERRA, A GRÃ-BRETANHA PERDE A HEGEMONIA NO CAPITALISMO GLOBAL PARA OS EUA

 

2. ALEMANHA

1864-1871. UNIFICAÇÃO DA ALEMANHA

FEITA PELO REINO DA PRÚSSIA

Monarquia constitucional autoritária: Parlamento fraco

Rei Guilherme I

LIDERADA PELO PRIMEIRO-MINISTRO OTTO VON BISMARCK

GUERRAS CONTRA A DINAMARCA (1864), ÁUSTRIA (1866) E FRANÇA (1870-1871)

1870-1871. GUERRA FRANCO-PRUSSIANA

França (Napoleão III) tenta impedir a unificação final da Alemanha

Derrota e humilhação francesa

Unificação da Alemanha

– 1871, janeiro. Criação do Império Alemão

– 1871, maio. Tratado de Frankfurt: França cede a Alsácia-Lorena e paga indenização para a Alemanha.

O IMPÉRIO ALEMÃO OU SEGUNDO REICH (1871-1918)

ESTADO FEDERADO: ANTIGOS REINOS CONTINUARAM EXISTINDO SOB HEGEMONIA DA PRÚSSIA

MONARQUIA AUTORITÁRIA DO KAISER (IMPERADOR, O REI DA PRÚSSIA)

Parlamento fraco

Primeiro-ministro (chanceler) subordinado ao kaiser

Sufrágio universal masculino

PRINCIPAL SETOR DA ELITE DIRIGENTE: OS JUNKERS

Nobreza latifundiária e militarista da Prússia

A ALEMANHA VIROU A MAIOR POTÊNCIA INDUSTRIAL E MILITAR DA EUROPA

1871-1888. REINADO DE GUILHERME I: ERA BISMARCKIANA

BISMARCK CHANCELER: O "CHANCELER DE FERRO"

A POLÍTICA DE BISMARCK: REALPOLITIK

Objetivos internos:

  Preservar o poder da monarquia

  Conter o crescimento do socialismo (SPD - Partido Social-Democrata, marxista)

Objetivos externos:

  Preservar a unidade alemã

  Isolar a França na Europa

LEIS TRABALHISTAS PARA AFASTAR O PROLETARIADO DO SPD

Início do Welfare State alemão

BOAS RELAÇÕES COM AS POTÊNCIAS EUROPEIAS

Aproximação Alemanha, Áustria-Hungria e Rússia (monarquias autoritárias, conservadorismo)

Colonialismo limitado e marinha pequena para não provocar a Grã-Bretanha

1882. Tríplice Aliança: Alemanha, Áustria-Hungria e Itália

1884-1885. Conferência de Berlim

– Partilha de territórios africanos entre as potências europeias

– Desprezou as fronteiras históricas e étnicas dos povos africanos

– O Congo (Zaire) ficou com o rei Leopoldo II da Bélgica

PROBLEMAS:

O SPD continuou crescendo com apoio do movimento operário

Crescente rivalidade entre Rússia e Áustria-Hungria pela influência nos Bálcãs

1888-1918. REINADO DE GUILHERME II: ERA GUILHERMINA

MAIOR INFLUÊNCIA DO DARWINISMO SOCIAL NA MONARQUIA

Ideia de uma luta entre nações pela sobrevivência: os mais fortes prevalecem e dominam os mais fracos ("Dominar para não ser dominado")

Ideia de que o mundo caminhava para ser dominado por Três Impérios (Grã-Bretanha, EUA e uma grande potência continental europeia, a Alemanha ou a Rússia)

1890. BISMARCK SAI DO GOVERNO

NOVO RUMO DA POLÍTICA ALEMÃ

A WELTPOLITIK DE GUILHERME II

Projeção do poder alemão no mundo, criando um grande império colonial e uma grande marinha de guerra

  Despertaria o patriotismo das massas, obtendo apoio popular para o governo

  Conseguiria mais mercados e fontes de matérias-primas para as indústrias alemãs

CONSOLIDAÇÃO DA ALIANÇA COM A ÁUSTRIA-HUNGRIA

APROXIMAÇÃO DO IMPÉRIO TURCO OTOMANO

Aumentar a presença alemã no Oriente Médio

Construção da Ferrovia Berlim-Bagdá (1903-1914)

RESULTADOS DA POLÍTICA DE GUILHERME II

O SPD continuou crescendo com apoio do movimento operário

  1912. O SPD virou o maior partido do Parlamento

Aproximação da Grã-Bretanha, França e Rússia: Tríplice Entente (1907)

1910-1914. Intensificação da modernização da Rússia (investimentos franceses e britânicos)

ALEMANHA FICA CERCADA DE POTÊNCIAS HOSTIS, ENQUANTO O REGIME ERA AMEAÇADO INTERNAMENTE

A GUERRA APARECE COMO ALTERNATIVA PARA UNIR O PAÍS E DESTRUIR O PODER RUSSO ENQUANTO A ALEMANHA AINDA POSSUÍA SUPERIORIDADE MILITAR E INDUSTRIAL

 

3. FRANÇA

ASPECTOS GERAIS

REGIME LIBERAL COM REPÚBLICA PARLAMENTAR

A mais democrática das potências europeias

Criada como resultado da derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871)

 França (Napoleão III, imperador do Segundo Império, 1852-1870) tenta impedir a unificação da Alemanha

  França invadida pela Prússia e seus aliados alemães. Napoleão III capturado pelos invasores.

  1870, setembro. Queda de Napoleão III (derrubado pelo Parlamento) e criação da Terceira República

  1871, março-maio. Comuna de Paris: revolução esquerdista dos trabalhadores estabelece governo rival da Terceira República. Guerra civil. Derrota e destruição da Comuna

– 1871, maio. Tratado de Frankfurt: França cede a Alsácia-Lorena e paga indenização para a Alemanha.

POSSUÍA O SEGUNDO MAIOR IMPÉRIO COLONIAL DO MUNDO

Principais colônias: Argélia e Indochina (Vietnã, Camboja, Laos)

Sua maior rival até o início do século XX era a Grã-Bretanha

DIANTE DA POLÍTICA EXTERNA AGRESSIVA DA ALEMANHA GUILHERMINA, CONSEGUE ROMPER SEU ISOLAMENTO E APROXIMAR-SE DA RÚSSIA E DA GRÃ-BRETANHA

1894. Aliança Franco-Russa

1904. Entente Cordiale com a Grã-Bretanha

1907. Tríplice Entente: França, Grã-Bretanha e Rússia

 

4. RÚSSIA

ASPECTOS GERAIS

IMPÉRIO EURO-ASIÁTICO MULTIÉTNICO

A MENOS DESENVOLVIDA/MODERNA DAS GRANDES POTÊNCIAS EUROPEIAS

O “ANTIGO REGIME” RUSSO

Czarismo: monarquia absolutista do czar ou tsar (imperador), uma autocracia

– 1613-1917. Dinastia Romanov

Igreja Ortodoxa Russa: igreja oficial subordinada à monarquia

Classe dominante: nobreza (terras e cargos no Estado)

Maioria da população: camponeses pobres

O PODER MILITAR RUSSO

O maior exército do mundo, relativamente mal equipado

O IMPERIALISMO RUSSO

Principais alvos: Oriente Médio, Extremo Oriente e Bálcãs

Objetivo de dominar territórios turcos (Constantinopla) e obter a hegemonia nos Bálcãs para ter acesso ao Mediterrâneo

– Rivalidade com o Império Turco Otomano e a Áustria-Hungria

– Ideologia do pan-eslavismo: união/cooperação dos povos eslavos, especialmente entre a Rússia e a Sérvia (principal aliada nos Bálcãs)

Dominar a Pérsia (Irã) e o Afeganistão

– Rivalidade com a Grã-Bretanha

Dominar o Norte da China (Manchúria) e a Coréia

– Rivalidade com o Japão

1894-1917. REINADO DO CZAR NICOLAU II: CRISE DO CZARISMO

CRESCENTE TENSÃO COM A ÁUSTRIA-HUNGRIA PELOS BÁLCÃS E COM A ALEMANHA, ALIADA DA AH

1894. Aliança Franco-Russa

1907. Tríplice Entente: Rússia, França e Grã-Bretanha

NACIONALISMO E SEPARATISMO DOS POVOS NÃO-RUSSOS

Sobretudo na Polônia, Finlândia, Cáucaso e Ásia Central

O IMPACTO DO CRESCIMENTO DEMOGRÁFICO E DA MODERNIZAÇÃO

Investimentos do Estado e do capital estrangeiro

Maior dívida externa do mundo

Aceleração da industrialização e da urbanização

Ascensão da classe média e do proletariado: pressão por reformas democráticas e sociais

Pressão dos camponeses/trabalhadores rurais por reforma agrária

A OPOSIÇÃO AO CZARISMO

LIDERADA PELA INTELLIGENTSIA

Intelectuais engajados politicamente, em geral da esquerda e da classe média (destaque para os estudantes)

 

Consideravam-se representantes dos interesses populares

 

Organizaram partidos políticos ilegais para criar um novo regime considerado por eles mais justo e progressista.

 

PARTIDO OPERÁRIO SOCIAL-DEMOCRATA RUSSO (POSDR)

 

ORGANIZAÇÃO MARXISTA

 

CONSIDERAVAM A RÚSSIA UM PAÍS MUITO “ATRASADO” (AGRÁRIO): NÃO MADURO PARA O SOCIALISMO

 

TEORIA DA REVOLUÇÃO EM 2 ETAPAS:

Etapa 1: a "revolução democrática burguesa”

 

Revolução operária com apoio dos camponeses e de setores democráticos da burguesia

 

Criar uma república democrática e capitalista moderna (industrial) com reformas sociais (distribuição de terras, leis trabalhistas)

 

O operariado industrial vai crescer e se fortalecer com o passar do tempo 

 

Etapa 2: a "revolução socialista operária"

 

  Revolução operária contra o capitalismo

 

  Criar a "ditadura do proletariado" (Estado operário) com estatização da economia numa transição para o comunismo

 

– Será parte de uma revolução internacional (europeia) contra o capitalismo mundial

 

1903. DIVISÃO DO POSDR EM DUAS FACÇÕES:

 

Mencheviques

 

– Queriam um partido de base operária mais ampla e descentralizada possível

 

Bolcheviques

 

– Organizados e liderados por Lênin

 

Queriam um partido mais centralizado dirigido por um grupo pequeno e disciplinado de revolucionários profissionais – uma elite revolucionária vista como a “vanguarda do proletariado”

 

Em 1912 formaram um partido separado que originou o Partido Comunista (1918)

 

 

5. EUA

REGIME LIBERAL COM REPÚBLICA PRESIDENCIALISTA

UMA DAS MAIS AVANÇADAS DEMOCRACIAS DA ÉPOCA

Mas ainda era limitada: excluía/marginalizava mulheres e negros

1870-1914. ASCENSÃO DOS EUA COMO A MAIOR POTÊNCIA INDUSTRIAL DO MUNDO

1800-1860. CONQUISTA DO OESTE

1861-1865. SECESSÃO DOS ESTADOS SULISTAS ESCRAVISTAS E GUERRA CIVIL

1865. REUNIFICAÇÃO NACIONAL E ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO

1870-1914. INÍCIO DA SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E APOGEU DA GRANDE IMIGRAÇÃO EUROPEIA

1914. ERA O MAIOR MERCADO CONSUMIDOR DO MUNDO

Maior classe média

Salários relativamente mais altos do que na demais potências

Maior mobilidade social

A POLÍTICA EXTERNA

ISOLACIONISMO/NEUTRALIDADE NO VELHO MUNDO (EUROPA, ÁSIA, ÁFRICA)

BUSCA DA HEGEMONIA NO NOVO MUNDO (AMÉRICA OU HEMISFÉRIO OCIDENTAL)

Diplomacia do pan-americanismo, cooperação interamericana ou solidariedade hemisférica

Doutrina Monroe (1823): contra a intervenção europeia na região (“A América para os americanos”)

Uso da força: intervenções militares para preservar os interesses americanos, especialmente no Caribe, América Central e México

BUSCA DA HEGEMONIA NO PACÍFICO

Dominar ilhas para assegurar o controle das rotas marítimas e o acesso à Ásia (China, Japão)

O PODER MILITAR AMERICANO

EXÉRCITO PEQUENO E MAL EQUIPADO PARA UMA GRANDE POTÊNCIA

MARINHA PODEROSA: PRINCIPAL ARMA

1889-1893. GOVERNO DE BENJAMIN HARRISON

1889-1890. CONFERÊNCIA DE WASHINGTON

Primeira Conferência Internacional dos Estados Americanos

Organizada pelo Secretário de Estado James G. Blaine

Tentativa de criar laços de cooperação econômica entre EUA e América Latina

Estabelecimento do Bureau Comercial das Repúblicas Americanas

Originou a OEA –Organização dos Estados Americanos (1948)

1893-1897. GOVERNO DE GROVER CLEVELAND

1895. PRIMEIRA CRISE DA VENEZUELA

Entre Grã-Bretanha e Venezuela

Disputa fronteiriça Venezuela-Guiana Inglesa

Ameaça de guerra e de intervenção dos EUA

GB recua e busca cooperação com os EUA no Caribe (reconhecimento da hegemonia americana na região)

Início do ideal da ANGLOESFERA: cooperação/aliança dos países de forte povoamento britânico e tradição liberal (GB, EUA, Canadá, Austrália, Nova Zelândia)

1897-1901. GOVERNO DE WILLIAM MCKINLEY

1898. GUERRA HISPANO-AMERICANA

Precipitada pelo envolvimento dos EUA na Guerra de Independência Cubana (1895-1898) contra o domínio espanhol

Derrota da Espanha

EUA anexam as Filipinas (Ásia), Guam (Pacífico) e Porto Rico (Caribe)

Cuba ficou independente

1898. ANEXAÇÃO DO HAVAÍ

1899. PARTILHA GERMANO-AMERICANA DAS ILHAS SAMOA

1899-1902. GUERRA FILIPINO-AMERICANA

As Filipinas lutam pela independência mas fracassam (autonomia em 1934 e independência em 1946)

A QUESTÃO CUBANA

CUBA VIROU UM PROTETORADO AMERICANO: SUBORDINADA/SOB PROTEÇÃO DOS EUA

1898-1902. OCUPAÇÃO MILITAR DOS EUA

1901. EMENDA PLATT NA CONSTITUIÇÃO CUBANA

Direito de intervenção militar dos EUA em Cuba para manter a ordem (revogada em 1934)

1902. INDEPENDÊNCIA DE CUBA

1903. BASE AMERICANA EM GUANTÁNAMO (“GITMO”)

1901-1909. GOVERNO DE THEODORE ROOSEVELT

1902-1903. SEGUNDA CRISE DA VENEZUELA

Entre Alemanha e Venezuela

Venezuela suspende o pagamento da dívida externa

Grã-Bretanha, Itália e Alemanha bloqueiam os portos venezuelanos

Ameaça de invasão alemã e de intervenção dos EUA

Alemanha recua e aceita arbitragem internacional

Relações EUA-Alemanha ficaram abaladas

A crise precipitou a elaboração do Corolário Roosevelt da Doutrina Monroe

O COROLÁRIO ROOSEVELT: BIG STICK

Direito de intervenção americana no Caribe e América Central para proteger os interesses dos EUA, manter a ordem e evitar pretextos para intervenções militares europeias na região

1903-1904. INTERVENÇÃO NO PANAMÁ

Panamá território da Colômbia

1903. Senado colombiano rejeitou proposta americana de construção de um canal no Panamá que ficaria sob controle dos EUA

1904. Independência do Panamá sob proteção dos EUA

O Panamá vira protetorado dos EUA e assina um acordo para a construção do canal

O Canal do Panamá foi concluído em 1914 e ficou sob controle dos EUA até o final de 1999

1905-1909. INTERVENÇÕES MILITARES NA REPÚBLICA DOMINICANA, CUBA E NICARÁGUA

1909-1913. GOVERNO DE WILLIAM TAFT

DIPLOMACIA DO DÓLAR

Empréstimos a governos falidos com controle americano sobre suas finanças