domingo, 29 de março de 2015

89- Gabarito da prova da 1 Etapa 2015


GABARITO 3 ANO 1 ETAPA 2015

QUESTÃO 4 (a): A frase é uma referência ao impacto interno e externo da unificação e transformação da Alemanha na maior potência industrial europeia, sob uma monarquia conservadora, após a vitória da Prússia na Guerra Franco-Prussiana (1870-1871). Vulnerabilidade interna: o avanço do Partido Social Democrata (SPD), defensor do socialismo, apoiado pelo crescente movimento operário. Vulnerabilidade externa: o revanchismo francês.

QUESTÃO 4 (b): Política de preservar o poder da monarquia e a unidade alemã por meio da contenção e repressão do SPD e do isolamento da França no cenário europeu evitando que conseguisse aliados contra a Alemanha.

QUESTÃO 4 (c): Criação de leis trabalhistas para afastar o operariado do SPD, adoção de uma política colonial pouco ambiciosa e uma marinha modesta para não provocar a Grã-Bretanha, estabelecimento de boas relações com a Rússia e formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria, Itália) contra a França.

QUESTÃO 4 (d): A Weltpolitik, política de expansão mundial da Alemanha, criando um grande império colonial e uma grande marinha. Não conseguiu o esperado apoio popular do operariado, deixou a Grã-Bretanha alarmada, afastou a Rússia da Alemanha e levou a formação da Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França, Rússia).

QUESTÃO 5: E E E C C C C E C E        

QUESTÃO 6: E E E E D D D E        

QUESTÃO 7: C C C E C

quinta-feira, 19 de março de 2015

88 - Observação sobre a matéria da prova

Pessoal, o capítulo da parte do Márcio na apostila, para a prova, é o 7 e não o 9

segunda-feira, 16 de março de 2015

87 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO: PROVA DO DIA 21 DE MARÇO DE 2015 (SÁBADO)

PROFESSOR MÁRCIO NUNES - HISTÓRIA DO BRASIL

Motivos da queda da Monarquia

A República da Espada e sua política econômica

A República Oligárquica: coronelismo, política dos governadores e política do café com leite

FONTES

Esquemas de aula

Apostila/Caderno 1 - Capítulo 7

Livro Conecte 3, Primeira Parte - Capítulo 1

PROFESSOR CÁSSIO TUNES - HISTÓRIA GERAL

As doutrinas políticas contemporâneas: liberalismo, socialismo, nacionalismo, trabalhismo e social-democracia

A tipologia esquerda-direita na política

A economia mundial e a globalização na Belle Époque: fatores favoráveis

A ordem internacional na Belle Époque: características gerais

A Grã-Bretanha na Belle Époque

 A Alemanha na Era Bismarckiana e na Era Guilhermina

FONTES

Esquemas do caderno

Apostila/Caderno 1 - Capítulos 3, 4, 5 e 6

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

86 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO PARA A PROVA DA 5 ETAPA

 Nazismo
-  Ascensão de Hitler ao poder
-  A ditadura nazista
- A política externa nazista

 Segunda Guerra Mundial
-  Motivos
- Alianças
- O conflito asiático e o conflito europeu
- A expansão da guerra em 1941

 Regime Militar no Brasil
- Características gerais
- Castelo Branco
- Costa e Silva
- Médici
- Geisel

FONTES DE ESTUDO
Esquemas e exercícios do caderno
Caderno/apostila 2 capítulos 13, 14 e 17
Livro capítulos 33 e 37

 

domingo, 21 de setembro de 2014

85 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO PARA A PROVA DA  4 ETAPA

CONTEÚDO

O Estado Novo no Brasil: origens e características

O Brasil na Segunda Guerra Mundial

O Governo Dutra

O Governo Vargas de 1951-1954

O Governo JK

A  ordem internacional no Entre Guerras: características

A crise do liberalismo no Entre Guerras: motivos e características

O totalitarismo: características e variantes

A URSS: os governos de Lênin e de Stalin

A Itália: a ascensão do fascismo e o governo de Mussolini

FONTES DE ESTUDO

Esquemas e exercícios do caderno

Caderno/apostila 2 capítulos 2,3,4,7 e 8

Livro capítulos 29, 31, 32 e 36

 

domingo, 20 de julho de 2014

84 - Bretton Woods: 70 anos


Os 70 anos da Conferência de Bretton Woods: dois artigos que saíram no jornal o Globo de hoje.

A CONFERÊNCIA DE BRETTON-WOODS: UM ESPELHO DISTANTE...

Bases da ordem econômica do pós-guerra foram traçadas no encontro em 1944

Luiz Carlos Delorme Prado - Professor do Instituto de Economia da UFRJ

Em um mundo repleto de encontros entre chefes de estado, reuniões de cúpulas, fóruns internacionais, há, hoje, um imenso ceticismo sobre a capacidade de uma conferência financeira internacional enfrentar os complexos problemas da ordem econômica mundial. No entanto, há 70 anos, por três semanas, entre o dia 1º e 22 de julho de 1944, reuniram-se no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, New Hampshire, nos Estados Unidos, 174 delegados de 44 países, para negociações que estabeleceram as bases da ordem econômica internacional do pós-guerra.

O contexto da reunião foi único – por um lado, marcava a consolidação da hegemonia econômica e política norte-americana – obtendo para o dólar uma posição de “privilégio exorbitante”, como acusou, na década de 1960, o ministro da fazenda da França, Giscard D’Estaing. Por outro lado, criou uma ordem internacional que permitiu, durante pouco menos de três décadas, a mais elevada taxa de crescimento da economia mundial jamais registrada, acompanhada por pleno emprego e crescimento dos direitos sociais, com a expansão do Estado de Bem-Estar Social – um período chamado pelos historiadores britânicos (como Hobsbawm) de “Golden Years” e franceses (como Jean Fourastié) de “Les Trente Glorieuses”.

Duas figuras históricas destacaram-se no encontro: pelo lado britânico, no apogeu da sua maturidade, John Maynard Keynes; pelo lado americano, um dos grandes quadros do Departamento do Tesouro desse país, Harry Dexter White.

O Brasil teve uma presença relevante. A delegação brasileira, com treze delegados, foi chefiada por Artur de Souza Costa, então Ministro da Fazenda. Entre seus integrantes estavam alguns economistas que tiveram grande influência no debate e na formulação de políticas econômicas no Brasil. Entre eles, Francisco Alves dos Santos-Filho, que seria Diretor Executivo do FMI (1946-1948) e representante brasileiro no Banco Mundial; o rico e influente empresário Valentin Bouças e, ainda, Eugênio Gudin, Octávio Gouvea de Bulhões e Roberto Campos. As discussões foram organizadas em três comissões. Souza Costa, chefe da delegação brasileira, presidiu um dos quatro comitês da Comissão I, coordenada por White, que tratava da criação e do funcionamento do FMI, um dos temas mais espinhosos da conferência.

O principal objetivo era evitar que a economia mundial posterior à Segunda Guerra Mundial repetisse a trágica história econômica do período entre as duas guerras. Em especial, temia-se a repetição do impacto causado na vida de milhões de pessoas em decorrência do desemprego e da desorganização da economia provocada pela Grande Depressão. Keynes defendeu com tenacidade e brilhantismo a construção de um novo Sistema Monetário Internacional que definitivamente abandonasse os erros do antigo Padrão Ouro. Apesar das dificuldades, conseguiu que fossem aceitas algumas de suas propostas mais importantes. Ao final, como dizia Churchill, os Estados Unidos faziam a coisa certa, depois que fracassaram todas as outras alternativas.

A ordem econômica criada por Bretton-Woods tinha qualidades que superavam, em muito, seus maiores defeitos. Quando essa ordem foi abandonada, na década de 1970, o mundo viu-se novamente sujeito à crescente instabilidade financeira. Ao final, em 2008, eclodiu uma nova crise internacional em muitos aspectos similar à da década de 1930. Nada indica, porém, que seja possível repetir nos dias atuais uma negociação com a envergadura e a profundidade da empreendida naqueles dias de verão no resort americano.

Em um mundo repleto de encontros entre chefes de estado, reuniões de cúpulas, fóruns internacionais, há, hoje, um imenso ceticismo sobre a capacidade de uma conferência financeira internacional enfrentar os complexos problemas da ordem econômica mundial. No entanto, há 70 anos, por três semanas, entre o dia 1º e 22 de julho de 1944, reuniram-se no Mount Washington Hotel, em Bretton Woods, New Hampshire, nos Estados Unidos, 174 delegados de 44 países, para negociações que estabeleceram as bases da ordem econômica internacional do pós-guerra.

O contexto da reunião foi único – por um lado, marcava a consolidação da hegemonia econômica e política norte-americana – obtendo para o dólar uma posição de “privilégio exorbitante”, como acusou, na década de 1960, o ministro da fazenda da França, Giscard D’Estaing. Por outro lado, criou uma ordem internacional que permitiu, durante pouco menos de três décadas, a mais elevada taxa de crescimento da economia mundial jamais registrada, acompanhada por pleno emprego e crescimento dos direitos sociais, com a expansão do Estado de Bem-Estar Social – um período chamado pelos historiadores britânicos (como Hobsbawm) de “Golden Years” e franceses (como Jean Fourastié) de “Les Trente Glorieuses”.

Duas figuras históricas destacaram-se no encontro: pelo lado britânico, no apogeu da sua maturidade, John Maynard Keynes; pelo lado americano, um dos grandes quadros do Departamento do Tesouro desse país, Harry Dexter White.

O Brasil teve uma presença relevante. A delegação brasileira, com treze delegados, foi chefiada por Artur de Souza Costa, então Ministro da Fazenda. Entre seus integrantes estavam alguns economistas que tiveram grande influência no debate e na formulação de políticas econômicas no Brasil. Entre eles, Francisco Alves dos Santos-Filho, que seria Diretor Executivo do FMI (1946-1948) e representante brasileiro no Banco Mundial; o rico e influente empresário Valentin Bouças e, ainda, Eugênio Gudin, Octávio Gouvea de Bulhões e Roberto Campos. As discussões foram organizadas em três comissões. Souza Costa, chefe da delegação brasileira, presidiu um dos quatro comitês da Comissão I, coordenada por White, que tratava da criação e do funcionamento do FMI, um dos temas mais espinhosos da conferência.

O principal objetivo era evitar que a economia mundial posterior à Segunda Guerra Mundial repetisse a trágica história econômica do período entre as duas guerras. Em especial, temia-se a repetição do impacto causado na vida de milhões de pessoas em decorrência do desemprego e da desorganização da economia provocada pela Grande Depressão. Keynes defendeu com tenacidade e brilhantismo a construção de um novo Sistema Monetário Internacional que definitivamente abandonasse os erros do antigo Padrão Ouro. Apesar das dificuldades, conseguiu que fossem aceitas algumas de suas propostas mais importantes. Ao final, como dizia Churchill, os Estados Unidos faziam a coisa certa, depois que fracassaram todas as outras alternativas.

A ordem econômica criada por Bretton-Woods tinha qualidades que superavam, em muito, seus maiores defeitos. Quando essa ordem foi abandonada, na década de 1970, o mundo viu-se novamente sujeito à crescente instabilidade financeira. Ao final, em 2008, eclodiu uma nova crise internacional em muitos aspectos similar à da década de 1930. Nada indica, porém, que seja possível repetir nos dias atuais uma negociação com a envergadura e a profundidade da empreendida naqueles dias de verão no resort americano.

BRETTON WOODS, 70 ANOS: FORA DA NOVA ORDEM MUNDIAL

No aniversário do histórico encontro, economistas defendem negociações para reforma de FMI e Banco Mundial

por Flávia Barbosa, correspondente

WASHINGTON - Em julho de 1944, 730 delegados de 44 países se reuniram no estado de New Hampshire, nos EUA, para a Conferência de Bretton Woods (em homenagem à cidade-sede da cúpula), com a missão de refundar a ordem econômica global. Sob a inspiração do economista britânico John Maynard Keynes e a articulação de Harry Dexter White, do Tesouro americano, as negociações estabeleceram as bases para o funcionamento da economia mundial, com um regime de câmbio fixo atrelado ao dólar e lastreado em ouro; a criação das instituições multilaterais de socorro – Fundo Monetário Internacional (FMI) — e reconstrução e desenvolvimento – Banco Mundial (Bird); e o rascunho dos princípios para o que três anos mais tarde seria o Acordo Geral de Tarifas do Comércio (GATT,embrião da OMC). Setenta anos depois, dizem os especialistas, mais do que celebrar o legado de Bretton Woods, as nações precisam se inspirar naquela jornada e ter a coragem política de começar discussões para uma nova arquitetura econômica e financeira mundial.

— O mundo precisa de novas negociações, à luz das transformações das últimas décadas — afirma Robert Johnson, diretor do Instituto para o Novo Pensamento Econômico e ex-integrante da comissão da ONU encabeçada pelo nobel Joseph Stiglitz para reforma do sistema monetário internacional. — Bretton Woods foi grandioso porque havia a consciência de que os países precisavam uns dos outros. Agora há necessidade, mas podem as nações reconhecê-la e se comprometerem? É possível hoje construir o entusiasmo do consenso?

Bretton Woods foi fruto do senso de urgência da comunidade internacional, lembra Marcos Troyjo, diretor do Brics-Lab da Universidade de Columbia. Naquele 1944, o mundo completava duas décadas e meia de vida no abismo, com episódios de hiperinflação, o crash da Bolsa em 1929, a depressão dos anos 30 e a devastação provocada pela Segunda Guerra Mundial, que acabaria menos de um ano depois.

Neste período, notadamente as nações europeias e o Japão esgotaram seus ativos financeiros (reservas em dólar e libra, ouro), suas estruturas econômicas estavam capengas e o comércio global, travado. Diante de tamanho desafio, a resposta dos aliados foi coordenação. Para religar as engrenagens das economias, foi criado um sistema de câmbio fixo, no qual todas as moedas se atrelaram ao dólar e os EUA a lastreavam em ouro.

O regime – ao permitir a conversibilidade das moedas – restaurou a capacidade de os países realizarem grandes transações comerciais e financeiras. Havia controles de capitais. Como os recursos eram escassos, o FMI foi criado como instituição de socorro para casos de falta de liquidez no mercado. E, com a Europa em frangalhos, o Banco Mundial – que nasceu Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird) – surgiu como instituição de fomento.

— A estabilização e a retomada do crescimento, com renovado fluxo de comércio, são os grandes legados de Bretton Woods. O sistema permitiu ainda o renascimento de um mercado de capitais e o desenvolvimento da Europa. Mais de 20 anos depois, a experiência era tão bem-sucedida, com trocas comerciais e financeiras intensas, que o câmbio fixo tornou-se insustentável e caiu em 1971, inaugurando a era de câmbio flutuante na qual vivemos — explica Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI e professor de Harvard.

Desde então, os últimos 40 anos foram marcados pela globalização, com a internacionalização das finanças e do comércio. Um volume brutal de capitais passou a circular diariamente entre nações e os bancos começaram a operar sem obedecer fronteiras. Novos instrumentos financeiros surgiram. Os EUA, que ditaram sozinhos os rumos dos primeiros 25 anos após Bretton Woods, ganharam rivais, em um mundo multipolar com gigantes comerciais como Alemanha e Japão e a emergência da China como superpotência econômica.

Estas mudanças, diz Robert Johnson, trouxeram instabilidade e elevado risco de contágio. De um lado, o câmbio flutuante absorve melhor choques externos, ajustando a cotação das moedas frente ao dólar sem que os governos tenham que exaurir reservas ou se endividar para cobrir rombos em conta corrente. Por outro, movimentos bruscos e vultosos, de entrada ou saída de capitais, descompensam as economias, retiram competitividade, favorecem a formação ou fazem estourar bolhas de ativos e deixam os sistemas bancários vulneráveis.

REGULADOR ‘COM MAIS DENTES’

Em outras palavras, o sistema monetário e financeiro é chegado a crises – e houve mais de uma centena delas desde a década de 70, com destaque para a Asiática, de 1997, e a global, de 2008, da qual o mundo ainda se recupera. E com os agentes interagindo como se não houvesse fronteiras, as nações perderam poder de fogo para colocar ordem na casa.

Reside aí o desafio central da comunidade internacional, diz Robert Johnson. É preciso entender melhor as ramificações dessa imensa quantidade de capitais financeiros que circula sem regulações:

— Vimos depois da crise de 2008 e da política monetária expansionista dos EUA, por exemplo, muitas medidas de controles de capitais, como no Brasil. Também deve-se reexaminar o sistema monetário, pois temos a China, com seu tamanho, administrando câmbio, o que causa assimetrias, o mundo vem tendo que se ajustar à competitividade que os chineses criam. E ainda precisamos repensar o papel desta superacumulação de reservas internacionais. Quando governos reúnem essas grandes quantidades de riquezas para proteção, há implicações para o sistema global e precisamos discuti-las.

Kenneth Rogoff vai além. Como outros economistas, defende a criação de um órgão regulador global do sistema financeiro, “com mais dentes” do que os fóruns e mecanismos que existem atualmente:

— Nós temos bancos e mercados financeiros globais, mas uma enormidade de diferentes regulações nacionais, precisamos achar uma forma de integrá-las, para dar ao sistema mais estabilidade. O problema é que a crise de 2008 nos jogou em outra direção, houve uma grande retração da globalização financeira e das políticas monetárias e regulatória. É hora de coordenação.

http://oglobo.globo.com/economia/a-conferencia-de-bretton-woods-um-espelho-distante-13309671



 

83 - Genética e raças humanas

Saiu na Veja eletrônica:


O NOVO RACISMO PSEUDOCIENTÍFICO

Recém lançado nos Estados Unidos, o livro 'A Troublesome Inheritance' tenta reavivar o antigo debate sobre a existência de raças humanas. Ao site de VEJA, pesquisadores explicam que não há argumento científico válido para a discussão — e demonstram que os homens são variados, mas não o suficiente para a existência de classes diferentes entre eles

Rita Loiola

Variações genéticas entre diferentes populações possibilitam o estudo de suas diferenças, origens e rotas no planeta (Robert Churchill/Thinstock)

No início do século XVIII, o biólogo sueco Carlos Lineu começou o que se tornaria sua grande herança: a classificação da natureza. Ele separou os organismos em três reinos, inventou conceitos como gêneros e espécies e, em 1758, na obra Sistema Natural, dividiu os seres humanos em quatro categorias — que chamou de raças. O uso do conceito logo se alastrou para muito além das fronteiras da biologia, insuflando preconceitos odiosos e servindo à defesa dos mais atrozes propósitos políticos, como a escravidão, o nazismo alemão e o apartheid sul-africano. Foi preciso esperar pela década de 1970 para que a ciência se encarregasse de descreditar a noção de que as diferenças entre os seres humanos são tão profundas a ponto de constituir raças. Nos últimos 40 anos, o conceito foi abandonado nos laboratórios. Mas ele volta a ser invocado pelo best-seller A Troublesome Inheritance (Uma Herança Incômoda, em tradução livre), do jornalista científico britânico Nicholas Wade.

Em suas páginas, o autor mistura os mais avançados estudos em variação genética e as antigas classes de Lineu em um esforço para reabilitar a separação da humanidade em raças. Mais que isso, especula que a seleção natural dos genes humanos seria responsável não só pela desigualdade entre os homens, mas também pelo desenvolvimento cultural econômico das sociedades. Publicado em maio, o título fez parte da lista dos livros mais vendidos do jornal americano The New York Times e gerou uma reação violenta da comunidade acadêmica de todo o planeta, mostrando que o empenho de Wade não tem fôlego para ir longe. 

"Dos anos 1970 para cá descobrimos muitas coisas surpreendentes sobre as populações e os recentes estudos de genética mostram que há variações entre elas. No entanto, hoje temos uma compreensão maior sobre o significado dessa diversidade e sabemos que aquelas categorias raciais em que acreditávamos não existem", diz o biólogo Diogo Meyer, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e um dos maiores nomes no Brasil no estudo de genética de populações. "É infinitamente mais interessante estudar as variações dos genes que falar sobre raças, algo que empobrece o debate e a pesquisa."

A grande raça humana — A primeira menção às raças humanas é de Lineu, mas o preconceito que envolve o tema só viria a se consolidar com o aristocrata francês Joseph-Arthur Gobineau, no século XIX. Sua obra Ensaio sobre a Desigualdade das Raças Humanas fundou o que hoje é conhecido como o "racismo científico", teoria que inspirou os conflitos raciais do século XX. Essas ideias só foram destruídas pela ciência em 1972, quando o biólogo americano Richard Lewontin, da Universidade Harvard, fez uma pesquisa com pessoas que fariam parte das diferentes raças e, por meio do estudo de suas proteínas — o máximo que se conhecia de informação genética humana na época —, descobriu que os homens são profundamente semelhantes. Desde então, a discussão sobre raça humana foi encerrada pela comunidade científica. Para a Associação Americana de Antropologia (AAA), nos Estados Unidos, o conceito é uma construção social, sem validade para a ciência.

A inexistência das raças não invalida outro debate que veio à tona desde 2003, com a conclusão do Projeto Genoma: a imensa variabilidade genética das populações. O sequenciamento do DNA humano forneceu aos cientistas explicações não só sobre o que há dentro dos cromossomos de um indivíduo como também sugere quais são os genes mais frequentes nas diversas regiões do mundo. Essa informação genética, submetida a pressões ambientais e selecionada pela evolução, é uma das responsáveis pelas características de europeus, americanos ou africanos.

Foi com essas informações que os cientistas descobriram que a tolerância à lactose ou ao álcool resultaram de um importante movimento evolutivo em nossos genes. E que um dos fatores que influi nas diferentes taxas de incidência de doenças crônicas nos continentes é a seleção natural. O último estudo sobre o assunto foi publicado na revista Nature, em julho, mostrando que a seleção de um gene desde a pré-história tem papel central na adaptação dos habitantes do Tibete para viver a mais de 4.000 metros de altitude.

"A evolução é um movimento contínuo e vivemos adaptações e seleção natural recentes", diz Rasmus Nielsen, professor de teoria evolutiva e genética na Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos Estados Unidos, e um dos autores da pesquisa da Nature.

Para Wade, a consequência lógica desse movimento adaptativo é que a constante pressão evolutiva tornaria esses grupos cada vez mais afastados – constituindo as raças. No entanto, a ciência mostra que esse não é o caminho que a humanidade tomou. "Ao contrário de outras espécies, nossa evolução não se dá isoladamente em diferentes regiões geográficas — algo necessário para a diferenciação em raças, linhagens ou espécies", diz Nielsen. 

Variações pouco significativas — Biologicamente, para que a existência de subespécies ou raças apareça é necessária a separação física da espécie. Assim, o material genético, submetido a pressões evolutivas dos diferentes locais, transforma-se e os grupos se dividem. Isso não aconteceu com os homens. Suas viagens e deslocamentos constantes superaram as barreiras naturais e promoveram uma troca intensa de genes, hábitos e aspectos culturais. Por meio da reprodução, a grande transferência genética entre os indivíduos não impediu o aparecimento de variações, mas evitou que suas diferenças se tornassem tão profundas a ponto de criar novas categorias biológicas. 

"A tendência é que habitantes de diferentes regiões geográficas se tornem, em pouco tempo, geneticamente semelhantes. Nossa propensão, portanto, não é de nos dividirmos em diferentes grupos, mas o oposto", diz Nielsen. "Por isso, a variação genética das populações humanas não é suficiente para validar cientificamente a existência de raças."

Uma das razões para isso é que os humanos não são geneticamente tão variados como outras espécies. Uma pesquisa publicada na revista Science em 1999 mostrou que animais como os chimpanzés possuem sequências genéticas quase quatro vezes mais variadas que os homens — e esses animais são divididos em raças. Para verificar a existência dessas categorias, os biólogos aplicam técnicas matemáticas que medem as diferenças genéticas e separam as classes. Quando o código genético humano é submetido às mesmas regras, não é possível dividi-lo dessa forma.

"Não conseguimos agrupar os homens como os chimpanzés. Nós descendemos de poucos grupos de hominídeos, o que limitou grandes diferenças genéticas", afirma o biólogo evolucionista Ian Rickard, da Universidade Durham, na Inglaterra.

Comportamento genético — Um dos antigos argumentos ressuscitados pelo livro lançado nos Estados Unidos é que a base biológica seria determinante na produção de comportamentos distintos em diferentes regiões do mundo. Dessa maneira, as variações genéticas, centrais para as condutas humanas, teriam um papel importante no desenvolvimento das sociedades e economias, tornando-as desiguais. Algumas poderiam construir culturas sofisticadas — europeias ou asiáticas — enquanto outras estariam destinadas a sociedades mais simples — como as indígenas ou africanas. Cada uma dessas categorias ou raças seria determinada, biologicamente, a um ou outro tipo de vida — o que gera um intenso debate ético na comunidade científica.

"A relação entre variações de comportamentos nas diferentes culturas e as diferenças entre as instituições sociais com base em genética evolutiva ou comportamental é, para dizer o mínimo, fantasia. Não há evidência alguma dessa ligação e ainda não conhecemos seu funcionamento", afirma Rickard.

Isso acontece porque os pesquisadores não sabem quais fatores atuam na equação genética das características complexas. "Sabemos que a genética tem influência forte no comportamento. No entanto, ainda conhecemos muito pouco sobre seu funcionamento para nos tornar capazes de afirmar algo sobre o assunto", afirma a pesquisadora Lygia da Veiga, chefe do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da Universidade de São Paulo (USP). "A única certeza que temos é que os fatores genéticos não são determinantes nas condutas humanas."

Características diversas — A conclusão mais contundente que os estudos de genética trouxeram aos cientistas nos últimos anos é as diferenças genéticas humanas não são organizadas em classes ou categorias, mas ocorrem em uma escala repleta de variáveis.

"Graças à revolução tecnológica, temos muitas informações quantitativas sobre os genes humanos e percebemos suas variações ocorrem como se fosse um dégradé de características", explica o biólogo Diogo Meyer. "Aplicar a isso a etiqueta de raça restringe nossos estudo, pois faz pensar que há categorias estanques, quando o que se verifica é um contínuo genético."

Assim, o tema proibido dos anos 1980 e 1990 deu lugar ao estudo das variações dessa escala, que estão sendo decifradas pelas pesquisas em genética e evolução. "A intuição de que as populações são diferentes entre si tem fundamento. Há variação genética entre elas, que torna possível estudar suas diferenças, origens e rotas no planeta. E não é preciso ter medo de falar dessa variação", afirma.

Esses estudos são importantes, principalmente, para os testes de medicamentos ou de análises de padrões de evolução de doenças em populações diversas. “Por meio do local de origem é possível ter uma série de informações sobre populações e indivíduos e isso é extremamente produtivo. No entanto, fazer ciência bem feita significa respeitar a realidade e, nesse caso, é perceber que o ser humano é variado, submetido a forças como hábitos ou culturas e não pode ser dividido em classes."

Assim, mais que procurar antigas categorizações humanas, como as propostas há três séculos, os cientistas de hoje preferem trabalhar respeitando a variação intrínseca e característica que forma a espécie humana. "Sim, há pequenas diferenças entre africanos e caucasianos, mas as semelhanças genéticas são muito maiores", afirma o biólogo Stephen Stearns, professor da Universidade Yale, nos Estados Unidos, e um dos principais nomes da biologia evolutiva em todo o mundo. "Há alguma verdade genética no conceito antiquado de raça, mas é um efeito menor, sutil e está longe de ser determinante."