terça-feira, 18 de março de 2014

75 - Roteiro de estudo


ROTEIRO DE ESTUDO PARA A PROVA DA 1 ETAPA

 

Explicar a criação da república

 

Caracterizar a República da Espada: governos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto

 

Descrever a economia mundial em 1870-1914, destacando os seguintes aspectos globalização, liberalismo e segunda revolução industrial

 

Explicar os problemas econômicos do período de 1870-1914

 

Reconhecer o conceito de Belle Époque e sua origem

 

Caracterizar a ordem internacional da Belle Époque

 

Descrever o imperialismo na Belle Époque, suas origens e justificativas ideológicas

 

FONTES DE ESTUDO

 

Esquemas e exercícios do caderno

 

Caderno/apostila capítulos 4,5,6, e 8

 

Livro capítulos 26, 27 e 30

domingo, 2 de março de 2014

74 - 2014 será o ano da farsa ou da tragédia?


Meu comentário meio besta e talvez exagerado, nesse início de Carnaval, sobre coisas alheias aos festejos:

2014 será o ano da farsa ou da tragédia?

É possível? Logo no centenário da Primeira Guerra Mundial? Como é sabido, a guerra de 1914 foi precipitada por disputas territoriais e étnicas no Leste europeu entre a Áustria-Hungria, aliada da Alemanha, e a Sérvia, apoiada pela Rússia. No caso, o território disputado era a Bósnia-Herzegovina, anexada pelos austro-húngaros (1908) e reivindicada pela Sérvia. Uma solução diplomática e consensual para a "Questão da Bósnia" era difícil. O nacionalismo sérvio fomentava o iugoslavismo (ideal de unir os povos "eslavos do sul", que incluía os bósnios, para criar a Iugoslávia ou Grande Sérvia), enquanto a Áustria-Hungria buscava preservar o status de grande potência e a integridade do seu império multiétnico, o que limitava sua capacidade de fazer concessões. O assassinato do herdeiro do trono da Áustria-Hungria, Francisco Ferdinando, em 28 de junho de 1914 por um separatista bósnio pró-Sérvia causou uma crise internacional que rapidamente evoluiu para uma guerra generalizada entre as grandes potências europeias. Agora, em 2014, novamente estamos vendo uma disputa territorial e étnica no Leste europeu (disputa russo-ucraniana pela Criméia, nacionalismo antirrusso ucraniano, necessidade da Rússia de preservar ou mesmo ampliar o status de grande potência) ameaçando a paz no continente. Está ficando cada vez mais difícil para os dois lados (Rússia e Ucrânia) fazerem concessões. Não há como escapar das famosas palavras de Karl Marx, comentando Hegel: os fatos e personagens importantes da história ocorrem, sim, duas vezes, "mas a primeira como tragédia e a segunda como farsa". 2014 entrará na História como o ano da farsa ou da tragédia?

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

73 - Jango

Jango e o realismo fantástico

ARTIGO – MARCO ANTONIO VILLA
Publicado em O Globo:
 
O Brasil é um país fantástico. Mais ainda, é um país do realismo fantástico, onde ficção se mistura com história e produz releituras ao sabor dos acontecimentos. A última tem como tema a morte do ex-presidente João Goulart, o Jango, na Argentina.
A Câmara dos Deputados fez uma investigação, ouviu dezenas de testemunhas e elaborou um longo relatório. Concluiu que não havia indícios de assassinato. Em entrevista a Geneton Moraes Neto, publicada no livro “Dossiê Brasil: as histórias por trás da História recente do país”, a senhora Maria Tereza Goulart descartou qualquer suspeita de assassinato do seu marido: “Eu estava ao lado de Jango o tempo todo, nos últimos dias. Jango morreu do coração. Tinha feito um regime violento e mal controlado. Chegou a perder 17 quilos em dois meses. E estava fumando muito. O médico já tinha dito que ele não poderia fumar.”
Jango era um cardiopata. E de longa data. No México, a 10 de abril de 1962, em visita oficial, assistindo a uma exibição do balé folclórico mexicano, no Teatro Belas Artes, o presidente teve um ataque cardíaco. Ficou desfalecido por um minuto. Atendido por médicos mexicanos, ficou impossibilitado de continuar a cumprir a agenda presidencial, sendo substituído por San Tiago Dantas. No retorno ao Brasil, o grande assunto era o estado de saúde de Jango e a possibilidade de que renunciasse à Presidência. Afinal, era o segundo ataque cardíaco em apenas oito meses. Dois meses depois, quando da recepção em palácio da seleção brasileira que partiria para a Copa do Mundo no Chile, Pelé manifestou preocupação com a saúde do presidente: “Presidente, como vão estas coronárias?” E Jango respondeu: “Estão boas, mas não tanto quanto as suas.”
Às vésperas do célebre comício da Central (13 de março de 1964), seu estado de saúde inspirava cuidados. Foi advertido que poderia ter sérias complicações com o coração. Jango desdenhou e manteve seu ritmo costumeiro de vida sedentária, alimentação inadequada, excesso no consumo de bebidas e vivendo em permanente estresse. No exílio uruguaio, também devido aos problemas com o coração, foi atendido pelo dr. Zerbini. Na França, onde esteve várias vezes, foi cuidar do coração e chegou a tentar uma consulta com o dr. Christian Barnard, na África do Sul, médico que dirigiu a equipe que fez o primeiro transplante de coração.
A transformação de Jango em um perigoso adversário do regime militar — tanto que o seu assassinato teria sido planejado pela Operação Condor — não passa de uma farsa. No exílio uruguaio, especialmente nos anos 1970, não tinha qualquer atuação política.
Tudo não passa de mais uma tentativa de mitificação, da hagiografia política sempre tão presente no Brasil. O figurino de democrata, reformista e comprometido com os deserdados foi novamente retirado do empoeirado armário. Agora pelos seus antigos adversários, os petistas. Mero oportunismo. É que a secretária dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, pretende ser candidata ao Senado pelo Rio Grande do Sul. E, como boa petista, não se importa de reescrever a história ao seu bel-prazer.
O cinquentenário dos acontecimentos de março/abril de 1964 é uma boa oportunidade para rever o governo Jango. O início dos anos 1960 esteve marcado pela agudização das mais variadas contradições. O esgotamento do ciclo econômico que alcançou seu auge na presidência JK era evidente. A grande migração tinha criado uma sociedade urbana e novas demandas que os governos não sabiam como atender. A tensão gerada pela Guerra Fria azedava qualquer conflito, por mais comezinho que fosse.
É nesta conjuntura que Jango tentou governar. E foi um desastre. Raciocinava sempre imaginando algum tipo de ação que significasse o abandono da política, do convencimento do adversário. Era tributário de uma tradição golpista, típica da política brasileira da época.
Nunca fez questão de esconder seu absoluto desinteresse pelas questões mais complexas da administração pública, distantes da politicagem do dia a dia. Celso Furtado, nas suas memórias (“A fantasia desorganizada”), relatou que entregou o Plano Trienal — que buscava planejar a economia nos anos 1963-1965 — ao presidente depois de exaustivas semanas de trabalho. Jango mal passou os olhos pela primeira página. Em entrevista à revista “Playboy”, em abril de 1999, Furtado foi direto: Jango “era um primitivo, um pobre de caráter”.
No polo ideológico oposto, o embaixador Roberto Campos, também nas suas memórias (“A lanterna na popa”), contou que escreveu um documento de 30 páginas relatando os contenciosos do Brasil com os Estados Unidos, em 1962, quando da visita do presidente a Washington. San Tiago Dantas, ministro das Relações Exteriores, pediu ao embaixador que reduzisse ao máximo a extensão do texto, pois com aquele volume de páginas o presidente não leria. Obediente, o embaixador sintetizou os problemas em cinco páginas, que foram consideradas excessivas. Diminuiu para três páginas. Mesmo assim, segundo Campos, Jango não leu o documento.
As reformas de base, palavra de ordem repetida à exaustão naqueles tempos, nunca foram apresentadas no seu conjunto. A definição — ainda que vaga — apareceu somente na mensagem presidencial encaminhada ao Congresso Nacional quando do início do ano legislativo, a 15 de março de 1964. E lembrar que foram apresentadas como soluções de curto prazo — mesmo sendo mudanças estruturais — durante três anos…
Deixou um país dividido, uma economia em estado caótico e com as instituições desmoralizadas. E abriu caminho para duas décadas de arbítrio.

Marco Antonio Villa é historiador

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

72 - CORREÇÕES DO CADERNO 1 DO 3 ANO


Pessoal, seguem três correções dos textos do Caderno de Humanas 1;

CORREÇÃO 1: Capítulo 4, pág. 484, quadro "A supremacia do Ocidente no mundo".

O número da nota de referência do texto saiu errada (é 1 e não 6) e a referência não apareceu no final do capítulo nem na bibliografia. É do livro de KUMAR, Krishan. Da Sociedade Pós-Industrial à Pós-Moderna: Novas Teorias Sobre o Mundo Contemporâneo. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997, pág. 95


CORREÇÃO 2: Capítulo 6, pág. 498, item b) O nacionalismo antiliberal, ■ O racismo e o antissemitismo.  

O início do texto está incompleto. O texto completo é o seguinte:

■ O racismo e o antissemitismo. Em uma idealizada "época dourada" do liberalismo, o racismo estava cada vez mais disseminado, associado ao imperialismo e ao nacionalismo racial. Teorias antropológicas e biológicas falavam da existência de uma raça branca superior, originária da Europa, e de raças não brancas inferiores, nativas da África (negros) e da Ásia (amarelos). Esse tipo de racismo foi amplamente utilizado para justificar o domínio ocidental sobre os povos africanos e asiáticos na Belle Époque. Além disso, o antissemitismo (ódio ou aversão aos judeus) também crescia, especialmente entre grupos sociais prejudicados ou inseguros com a modernidade, cujos aspectos considerados negativos eram associados aos judeus, como o avanço do materialismo, da grande indústria e do capital financeiro, o declínio de valores tradicionais e a ruína de antigas profissões. Por causa da tradição ancestral de dedicação à leitura religiosa, o que se refletiu em uma educação mais disciplinada e esforçada, os judeus, de fato, destacaram-se em algumas atividades urbanas e modernas, ainda que não fossem a maioria e nem predominassem nessas atividades. Foram os casos das profissões liberais (médicos, advogados), empresariais (comerciantes, banqueiros) e intelectuais (artistas, jornalistas, eruditos, cientistas e militantes políticos, especialmente socialistas). A projeção dos judeus nessas atividades em um contexto político e jurídico de isonomia alcançada ao longo do século XIX com a expansão do liberalismo, favoreceu a ascensão das elites econômicas e da classe média judaica, mas reforçou também o antissemitismo. O velho preconceito religioso de origem medieval (antijudaísmo) foi suplementado e ampliado pelo moderno preconceito racial (os judeus vistos como uma raça, independente de sua religião), derivado do nacionalismo racial. Na Belle Époque, ganhou força entre os antissemitas a ideia de que os judeus eram um povo interessado apenas em bens materiais e no lucro, e que conspiravam para dominar o mundo. Diversas obras foram escritas nesse período falando de uma "ameaça judaica" global, como Os Fundamentos do Século Dezenove (1899), do britânico Houston Stewart Chamberlain, e Os Protocolos dos Sábios do Sião (1903), um falso plano de dominação mundial atribuído aos judeus mas elaborado por antissemitas na Rússia.

CORREÇÃO 3: Capítulo 6, pág. 499, na caixa texto A QUESTÃO JUDAICA NA BELLE ÉPOQUE, no último parágrafo, segunda linha. O correto é:

na França (onde viviam 86 mil judeus ou 0,22% da população francesa)

domingo, 14 de julho de 2013

71 - As Jornadas de Junho (Parte IX)


Pessoal , segue um texto do jornalista Clovis Rossi, publicado na Folha de S. Paulo (14 de julho),  sobre as manifestações de junho.

Revolucionários ou burgueses?

Dois acadêmicos estrangeiros, de posições contrapostas, chegam a conclusões igualmente contrapostas --mas, curiosamente, ambas verossímeis-- a propósito dos protestos no Brasil (e no mundo). O que não significa que sejam verdadeiras, já que paira um imenso ponto de interrogação sobre as manifestações.

Refiro-me a artigos do esloveno Slavoj Zizek, popstar da filosofia, para a "London Review of Books", e do cientista político Francis Fukuyama, famoso por ter decretado "o fim da história" com o triunfo definitivo do capitalismo e da democracia liberal, este para o "Wall Street Journal".

Para Zizek, os protestos são anticapitalistas. "São todos reações a facetas diferentes da globalização capitalista. A tendência geral do capitalismo global de hoje é no sentido de um expansão ainda maior do império do mercado, combinada com o progressivo fechamento do espaço público, a redução dos serviços (saúde, educação, cultura) e uma gestão sempre mais autoritária do poder político", escreve.

Não é difícil, de fato, ler os protestos no Brasil com essa lente. Pediram melhores serviços públicos, entre eles os de saúde e educação, e uma reforma política que desse aos mortais comuns um papel de maior protagonismo ante um poder político fechado em si mesmo.

Resta saber se são protestos contra o capitalismo como sistema, como crê o esloveno, ou contra abusos que podem ser remediados sem jogar o sistema em si no lixo.

De todo modo, é igualmente aceitável a conclusão de Zizek de que as manifestações são uma "tomada de consciência de que a forma atual da democracia representativa não é suficiente para combater os excessos do capitalismo e, portanto, a democracia deve ser reinventada".

Não deixaria de ser uma revolução.

Fukuyama não vê revolução, mas "fermentos":

"O elemento em comum nas recentes desordens na Turquia e no Brasil, como também na Primavera Árabe de 2011 e nos contínuos protestos na China, é a ascensão de uma nova classe média global. Onde quer que se tenha afirmado, essa classe média provocou fermentos políticos, mas quase nunca tem sido capaz de determinar por si só mudanças duradouras".

O cientista político duvida que seja diferente agora.

Ao contrário de Zizek, Fukuyama não vê anticapitalismo, mas o seu oposto no perfil dos manifestantes:

"Grande número de estudos conduzidos em vários países, entre os quais algumas pesquisas do Centro Pew e dados da Pesquisa Mundial sobre Valores da Universidade de Michigan, demonstram que pessoas com nível de instrução mais alto atribuem maior valor à democracia, à liberdade individual e à tolerância com estilos de vida diferentes."

Ou, posto de outra forma, os manifestantes seriam "burgueses que reclamam não só segurança para a própria família, mas também liberdade de escolha e mais oportunidades".

No fundo, é aquela velha história de que tudo depende da cor das lentes com as quais se olha algum fenômeno.

Clovis Rossi em http://www1.folha.uol.com.br/colunas/clovisrossi/2013/07/1310915-revolucionarios-ou-burgueses.shtml

sexta-feira, 12 de julho de 2013

70 - As Jornadas de Junho (Parte VIII)


Pessoal, seguem trechos de um texto do jornalista Reinaldo Azevedo sobre o Dia Nacional de Lutas – uma fracassada tentativa de paralização do país organizada por vários sindicatos de trabalhadores e partidos políticos, que reivindicaram, entre outras coisas, a redução da jornada de trabalho e o fim do fator previdenciário (aplicado no cálculo para o recebimento da aposentadoria integral, estimulando o trabalhador a adiá-la). Como outros analistas, ele faz uma comparação entre a manifestação de ontem (dia 11 de julho) e os protestos de junho. Destaquei em negrito as partes que considerei mais interessantes.


Micou de maneira retumbante o tal Dia Nacional de Lutas. A CUT, a Força Sindical, outras centrais e os partidos políticos de esquerda foram malsucedidos na tentativa de pegar carona da onda de protestos que sacudiu o país. Houve, sim, muita atrapalhação nas estradas, ocupação em porto, escaramuças, dificuldades aqui e ali, mas nada nem remotamente parecido com os protestos havidos no mês passado.

O que significa o micão desta quinta, em contraste com aquele milhão e meio de dias atrás? Significa que reivindicar o inexequível é bem mais gostoso, o que nos remete a um dos lemas de Maio de 1968, na França: “Seja realista, peça o impossível”. O evento também expõe uma das forças e, ao mesmo tempo, das maiores fragilidades da “onda de protestos” no Brasil: a composição social de quem vai ou foi às ruas. O primeiro passo para responder de forma eficiente à realidade é admiti-la: os pobres, com raras exceções, preferiram, até agora, ficar em casa.

Lastimo é que a pobreza de liderança política no Brasil se reflita também nos sindicatos e que estejamos sem o fio que possa desatar o nó.

Cobrar redução da jornada e fim do fator previdenciário, olhem que coisa!, parece apequenar o movimento e a razão por que se vai às ruas; é, como diriam os adolescentes hoje em dia (de maneira irritante), “tipo assim” coisa de pobre, de um pragmatismo incompatível com o sonho e com as evocações românticas. Os “sonháticos” querem um outro mundo possível… Não! Na verdade, pretendem um outro mundo… impossível. Nele, não só os políticos não roubam como, a rigor, não há políticos nem política.

Líderes que efetivamente representam grupos e com os quais se podem fazer acordos mobilizam meia dúzia de gatos-pingados; não líderes – e que, portanto, não lideram, mas alçados pela imprensa à condição de estrelas da não representação – conseguem criar eventos que reúnem alguns milhares.

Há quem se deixe cair de encantos por um paradoxo cuja graça, havendo alguma, é não mais do que literária – e literatura meio velha, da década de 60: a “juventude” que está nas ruas tem força, mas não sabe o que quer, e os que sabem o que querem já não têm força. Mas onde está a virtude desse troço? Se isso produzir algo, tenho minhas dúvidas, será, no máximo, um impasse. Para o qual ninguém tem resposta.

Texto completo em http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/geracao-facebook-diz-nao-a-forca-sindical-a-cut-e-aos-partidos-politicos-e-dia-nacional-de-lutas-vira-um-grande-mico-falha-tentativa-dos-aparelhos-de-ganhar-as-r/

 

terça-feira, 9 de julho de 2013

69 - O Brasil espionado


Algumas observações sobre o caso da espionagem americana no Brasil, revelada no jornal O Globo no dia 7 de julho:

Eliane Cantanhêde1
Todo o mundo bisbilhota todo o mundo e todos os países (que podem, claro) espionam todos os países (que interessam, claro). A única coisa que não pode(ria) é ser flagrado bisbilhotando e espionando. Aí, vira uma confusão, com os espionados encenando indignação e os espiões fingindo enorme constrangimento.

Jânio de Freitas2
Vamos fingir que nos sentimos surpresos e indignados. Vamos à ONU com um protesto contra a espionagem com que o governo dos Estados Unidos invadiu mensagens eletrônicas no Brasil. Vamos cobrar do governo americano explicações sobre a central de espionagem instalada em Brasília pelo combinado CIA-NSA. Faz parte da boa educação cívica mostrar-se surpreso e indignado.

Reinaldo Azevedo3
Os EUA monitoram quem liga pra quem — que se saiba, nesse caso, não se conhece o conteúdo — mundo afora, especialmente no Ocidente? Que bom!!! Alguém tem de fazer isso. Antes eles do que a China; antes eles do que a Rússia; antes eles do que alguma central do terror. Dia desses, assistindo a uma reportagem de TV, a moça, com aquele ar indignado a que a ignorância sempre confere convicção, observou que, a despeito de tanto monitoramento, o serviço secreto americano não conseguiu impedir o atentado terrorista de Boston. É uma raciocínio estúpido. A eficiência de um monitoramento não se mede pelos atentados que ocorrem, mas por aqueles que não ocorrem. E parte do serviço de segurança consiste justamente em omitir essas informações para não gerar pânico e garantir a segurança de algumas operações. Mesmo assim, alguns casos vieram a público. Já se impediu um facínora, por exemplo, que levava um dispositivo explosivo no salto do sapato, de explodir um avião. Quantos ataques o monitoramento já evitou no país que teve o 11 de Setembro e mundo afora? Ninguém jamais saberá. As autoridades brasileiras estão tomadas de pruridos nacionalistas; falam em violação da soberania nacional… É. Nada como um escorregão dos grandes para que os pequenos fiquem cheios de razão. É claro que há aí um exagero, e os EUA tentam se explicar. É evidente que o Brasil tem de fazer cobranças e tal, mas é bem possível que o grande número se supostas ocorrências em nosso país se deva ao fato de que essa é uma área de trânsito de dados.

 
1. http://www1.folha.uol.com.br/colunas/elianecantanhede/2013/07/1308351-indignacao-com-prazo-marcado.shtml

2. http://www1.folha.uol.com.br/colunas/janiodefreitas/2013/07/1308284-espiados-e-indignados.shtml

3. http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/prontofalei-se-ninguem-quer-entao-falo-caso-snowden-esta-sendo-superestimado-e-jornalista-que-denuncia-complo-exercita-teorias-conspiratorias-e-faz-quando-menos-juizos-delinqu/